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Calvet de Magalhães: Pensamento e Acção

Isabel Maria Freitas Valente

O presente livro pretende evidenciar até que ponto o pensamento e a acção do Embaixador José Thomaz Calvet de Magalhães (1915–2004), pioneiro da chamada diplomacia económica e um dos protagonistas da nossa adesão à Europa, foram importantes nesse processo.
Visa-se, ainda, demonstrar que a procura de um caminho europeu para Portugal e de uma relação sólida com os Estados Unidos se constituiu como parte essencial da sua actividade diplomática e intelectual, como campo de aplicação do exercício da diplomacia pura. Neste quadro, não deixa de ser importante relevar que essa procura de uma certa abertura de Portugal à Europa e ao mundo ocorre, numa época e num país ainda marcados, na sua política externa e de segurança, pelo pensamento geopolítico atlantista ou pelo isolacionismo nacionalista.
Ao analisarmos a vida e obra deste diplomata descobrimos o sinete do liberalismo, do humanismo kantiano e da interculturalidade. Pensamento e voz que, ontem como hoje, continuam de viva actualidade, que souberam aliar a graça do estilo à elevação do seu ideal – a diplomacia como sinónimo de paz e o caminho euro-atlântico para Portugal. Calvet de Magalhães foi protagonizando a história da participação de Portugal nos movimentos europeus, sempre crítico em relação ao desinteresse manifestado pelos portugueses relativamente aos assuntos europeus, lastimando a hostilidade e a descrença das autoridades políticas.

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Introdução

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Tout est possible dans les moments exceptionnels à condition que l’on soit prêt. Jean Monnet, Mémoires, Fayard, 1985. Quando se comemoram trinta anos da adesão de Portugal às Comunidades Europeias, e numa fase em que a problemática da construção europeia justifica uma atenção muito especial porque se dispõe “já de uma experiência esclarecedora de mais de meio século, mas se avizinham desafios novos e difíceis a que se tem que dar a resposta mais adequada”,1 justificar-se-á uma atitude de interrogação sobre a existência, ou não, em Portugal, de uma reflexão profunda e de um esclarecimento suficiente acerca das questões europeias. A este propósito, não deixa de ser oportuno referir que o interesse da historiografia portuguesa em relação à história da construção europeia é tardio. A partir da década de 90 começam a surgir os primeiros estudos académicos de cariz historiográfico acerca destas temáticas. Facto que, talvez se explique, em primeiro lugar, porque com “o fecho do ciclo imperial, a Europa veio ocupar o vazio deixado pelo Império no imaginário português. A Europa torna-se parte integrante plena de Portugal como Estado-membro da União Europeia, desenha-se uma procura de legitimidade retrospectiva do Portugal europeu. [Em segundo lugar, porque] o avanço da História Contemporânea portuguesa fez da história da construção europeia um dos seus objectos de estudo.”2 A esta luz...

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