Show Less
Restricted access

A hora do crime

A violência na dramaturgia britânica do pós-Segunda Guerra Mundial (1951–1967)

Rui Pina Coelho

A violência e a sua representação artística têm sido desde sempre objecto de vibrantes debates. Na criação contemporânea, a violência continua a ser um dos mais insistentes refrãos temáticos. Analisa-se aqui um corpus seleccionado da dramaturgia britânica de matriz realista do pós-Segunda Guerra Mundial, incluindo textos de John Whiting ( Saints’s Day, 1951), Brendan Behan ( The Quare Fellow, 1954), John Osborne ( Look Back in Anger, 1956), Harold Pinter (The Birthday Party, 1958), Arnold Wesker ( Chicken Soup with Barley, 1958; Roots, 1959; e I’m Talking about Jerusalem, 1960), John Arden ( Serjeant Musgrave’s Dance, 1959), David Rudkin ( Afore Night Come, 1962), Giles Cooper ( Everything in the Garden, 1962), Edward Bond ( Saved, 1965) e Charles Wood ( Dingo, 1967). São textos reportados a uma geração de dramaturges conhecidos como «Angry Young Men» e a uma Segunda Vaga de dramaturges dos anos sessenta que reagem às alterações na geometria política e social motivadas pela Segunda Guerra Mundial. Na análise a que se procede é estudada a maneira como cada obra configura as representações de violência, de que resultou a diferenciação nas seguintes tipologias: violência sistémica; sobre o corpo; verbal; e de guerra.
Show Summary Details
Restricted access

Capítulo Um. O teatro e o mundo no Reino Unido do pós-guerra

Extract

| 73 →

CAPÍTULO UM

O teatro e o mundo no Reino Unido do pós-guerra

Uma preocupação profissional com o drama não exclui, espero, um fascínio pelo mundo em geral.

Michael Billington (2007)

1. Os anos cinquenta: O desanuviamento e a ansiedade1

A maneira como a violência é representada na dramaturgia do pós-guerra, tal como temos vindo a expor, dependerá em grande medida do seu contexto histórico. Ainda que estejamos a laborar sobre conceitos (potencialmente) universais e intemporais – sobretudo no que diz respeito à constituição das tipologias de violência com que operaremos o corpus de textos dramáticos seleccionado – o foco da nossa exposição e análise é, precisamente, a singularidade do imediato pós-guerra e dos anos seguintes, pelas décadas de cinquenta e sessenta. E, neste particular, do caso britânico, da sua dramaturgia e, ainda mais especificamente, da dramaturgia de matriz realista, mais permeável à irrupção e aos efeitos do real. Para tal, importa determo-nos, para já, ainda que muito brevemente, na caracterização deste período, descrito pelo historiador Peter Hennessy como “The Short Post-War”:

[W]hich was the triumphant, if exhausting, outcome of 1939-45 to the early months of 1960 which saw a significant reappraisal of Britain’s place in the world and a growing recognition of Britain’s incapacity to sustain the level of influence its political class still craved in the bipolar age of...

You are not authenticated to view the full text of this chapter or article.

This site requires a subscription or purchase to access the full text of books or journals.

Do you have any questions? Contact us.

Or login to access all content.