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A tradução em movimento

Figurações do traduzir entre culturas de Língua Portuguesa e culturas de Língua Alemã

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Edited By Susana Kampff Lages, Johannes Kretschmer and Kathrin Sartingen

Para germanistas atuantes em países lusófonos ou lusitanistas em países de língua alemã, a tradução é ferramenta diária e essencial ao trabalho. Mas como tornar essa prática objeto de investigação sistemática? De que forma a tradução e seus desafios auxiliam o pesquisador que opera no campo dos estudos literários? Esta coletânea constitui uma reunião de estudos que tomam a tradução, sua prática, seus desafios e questionamentos, como ponto de partida para abordar temas caros aos estudos literários e culturais. A partir do estudo da obra de autores como Haroldo de Campos, Jorge de Sena, Vilém Flusser, Franz Kafka, Walter Benjamin, entre outros, os autores buscam refletir sobre o papel das relações entre tradução, exílio, identidade, história e filosofia.

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Transportar culturas, traduzir poemas: Jorge de Sena, tradutor (Fernando Miranda)

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Fernando Miranda

Transportar culturas, traduzir poemas: Jorge de Sena, tradutor

1- Introdução

Com um curto prefácio de quatro páginas, escrito em 1971, Jorge de Sena dá a conhecer seu ambicioso projeto de tradução, a antologia Poesia de 26 séculos – de Arquíloco a Nietzsche (2011), à qual se seguirá, ainda, Poesia do século XX (1994). Nestes volumes, reunirá poetas das mais variadas tradições culturais, muitas vezes traduzindo de línguas que não lhe eram familiares, como o persa e o chinês. Esta espécie de museu poético não é uma mera apresentação de formas poéticas que perpassaram os séculos e que se encontram distantes no tempo. Como o próprio Sena salienta, numa introdução um pouco mais extensa, que segue o prefácio, “arcaizar os antigos é tão injusto para com eles, como só modernizá-los é irresponsável” (Sena 2001, p. 19). Deste modo, podemos considerar que a operação de traduzir os poemas não se limita apenas à transposição de uma língua a outra, mas a uma tentativa de penetrar na cultura alheia, bem como de fazê-la penetrar na cultura própria. Ademais, as escolhas de Sena remontam a um entendimento de linhas de força importantes para sua própria produção poética, sobretudo no tocante à “testemunha” e à “circunstância”, concordando, assim, com a afirmação de Danilo Bueno (2012, p. 211)...

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