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A tradução em movimento

Figurações do traduzir entre culturas de Língua Portuguesa e culturas de Língua Alemã

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Edited By Susana Kampff Lages, Johannes Kretschmer and Kathrin Sartingen

Para germanistas atuantes em países lusófonos ou lusitanistas em países de língua alemã, a tradução é ferramenta diária e essencial ao trabalho. Mas como tornar essa prática objeto de investigação sistemática? De que forma a tradução e seus desafios auxiliam o pesquisador que opera no campo dos estudos literários? Esta coletânea constitui uma reunião de estudos que tomam a tradução, sua prática, seus desafios e questionamentos, como ponto de partida para abordar temas caros aos estudos literários e culturais. A partir do estudo da obra de autores como Haroldo de Campos, Jorge de Sena, Vilém Flusser, Franz Kafka, Walter Benjamin, entre outros, os autores buscam refletir sobre o papel das relações entre tradução, exílio, identidade, história e filosofia.

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Trajetória inesperada de uma tradução – E. T. A. Hoffmann e Justiniano José da Rocha (Karin Volobuef)

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Karin Volobuef

Trajetória inesperada de uma tradução – E. T. A. Hoffmann e Justiniano José da Rocha

Justiniano José da Rocha publicou nos dias 27 e 28 de março de 1839, no Jornal do Comércio, uma pequena narrativa que trazia o nome de A paixão dos diamantes. Ainda em 1839, o mesmo texto saía sob forma de livro, agora com o título Os assassinos misteriosos, ou A paixão dos diamantes (Moisés 1984, p. 60). A narrativa vinha acompanhada de uma nota em que o próprio Rocha levantava dúvidas quanto à autenticidade de sua obra:

Será traduzida, será imitada, será original a novela que vos ofereço, leitor benévolo? Nem eu mesmo que a fiz vo-lo posso dizer. Uma obra existe em dois volumes, e em francês, que se ocupa com os mesmos fatos; eu a li, segui seus desenvolvimentos, tendo o cuidado de reduzi-los aos limites de apêndices, cerceando umas, amplificando outras circunstâncias, traduzindo os lugares em que me parecia dever traduzir, substituindo com reflexões minhas o que me parecia dever ser substituído; uma coisa só tive em vista, agradar-vos; Deus queira que o tenha conseguido. (Rocha 1960, p. 54)

Diante de tal afirmação, uma das primeiras coisas a considerar é que já foi prática bastante comum os escritores tentarem camuflar seu papel de autores, alegando que a obra que publicavam era, por...

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