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Collecçam dos Papeis Anonymos

Editada por Hans Fernández e Pascal Striedner

Series:

Bento Morganti

Edited By Hans Fernández and Pascal Striedner

A Collecçam dos Papeis Anonymos constitui o primeiro texto do gênero spectator aparecido na península ibérica. Atribuída ao religioso Bento Morganti, a obra circulou na cidade de Lisboa — num contexto marcado pela Censura e Inquisição — em forma de folhas volantes entre os anos de 1752 e 1754. Ao longo de quatro coleções e 44 números, sua instância narrativa reflete com base em um pensamento próprio do Iluminismo sobre a necessidade de transformar a sociedade portuguesa, especialmente por meio da educação, com a finalidade de levá-la ao nível das mais avançadas da Europa.

A presente edição diplomática dá a conhecer o «Manuscrito de Coimbra» e tenta contribuir para a pesquisa dos spectators em Portugal.

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Discurço sobre os Curadores.

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H Um dia da semana passada me escreveo hum dos meus amigos da Corte sobre varios particulares de importancia, que eu lhe tinha deixado recomendado quando fui a ella ultimamente, e como he dos que me frequentam com a sua correspondencia, depois de me falar no negocio, me mandou tambem algumas novidades; e entre ellas me dizia, que a cada canto encontrava por Lisboa certos editais que tinham por titulo – NOTICIA – e legado da curiozidade lîa todos, e nam continham mais, que dizer: Que Fulan, morador em tal parte, Doutor, ou Cirurgiam dáquem, e dálem [34] vendia com approvaҫam deste, e daquelle, huns bons remedios para isto, e para aquillo, com os quaes tinha feito aquellas, e aqueloutras curas, que obravam assim, e assado, de que podiam depor fulano, e sicrano, &c. com cujo ostentozo aparato mostrava ser cada memorial daquelles, huma carta de seguro contra a morte, ou hum Alvará de prorogaҫam de tempo para a vida, sem que em toda ella tivesse o minimo detrimento a saude

Fazendo sobre esta noticia huma pouca de reflexam nam posso deixar de dizer, que o dezejo da vida he huma paxam tam natural, e tam forte, que ha já muito tempo que me nam admiro de ver como se tem animado tanto entre nós a pratica da Medecina. Todos os Governos mais politicos fizeram sempre honroza, e conveniente a profissam de hum Medico. O Machaon de Homero, e o Japis...

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