Show Less
Restricted access

Collecçam dos Papeis Anonymos

Editada por Hans Fernández e Pascal Striedner

Series:

Bento Morganti

Edited By Hans Fernández and Pascal Striedner

A Collecçam dos Papeis Anonymos constitui o primeiro texto do gênero spectator aparecido na península ibérica. Atribuída ao religioso Bento Morganti, a obra circulou na cidade de Lisboa — num contexto marcado pela Censura e Inquisição — em forma de folhas volantes entre os anos de 1752 e 1754. Ao longo de quatro coleções e 44 números, sua instância narrativa reflete com base em um pensamento próprio do Iluminismo sobre a necessidade de transformar a sociedade portuguesa, especialmente por meio da educação, com a finalidade de levá-la ao nível das mais avançadas da Europa.

A presente edição diplomática dá a conhecer o «Manuscrito de Coimbra» e tenta contribuir para a pesquisa dos spectators em Portugal.

Show Summary Details
Restricted access

Dos Baylles Publicos, e de Mascaras.

Extract



NEnhuma couza no tempo prezente fas parecer hum homem enfadonho, como he o nam falar a geito, e conforme a vontade, e Inclinaçaõ dos circunstantes que o estam ouvindo. Para se dar hum inteiro sentido ao quese fala, he precizo que o discurso que se faz nam reprove nada do que se pratica, e que convenha sem discrepancia no que se uza, ou no de que se abuza. Hum homem que nam sabe lizongear, e tem por costume falar sincero, muitas vezes se acha bastantemente mortificado quando se encontra com alguma occaziaõ em que o discurso da practica he sobre certo erro commum; porque se o impugna, logo he impertinente, tem mao genio, era incapaz de ser cazado, e a modestia faz com que lhe nam chamam rustico, e que ignora os principios da boa educaçaõ; e aqui temos desconcertados os genios, e estabelicido hum mào conceito. Se nam dis couza alguma, o se [62] poem indiferente temos mais hum voto contra a justiça da cauzam, e hum tacito sequaz de algum abuzo; pois tam parcial he o que abertamente se declara por algum partido, como aquelle que calandose o naõ impugna. Tudo he mào, tanto falar como emmudecer: e como o meyo que fica entre dous extremos he o melhor, revolvome a escrever, porque isto nem he falar, nem tam pouco deixar de falar, e he hum bom modo para nam ser impertinente, nem taciturno; porque quem me nam quizer ouvir, escuza...

You are not authenticated to view the full text of this chapter or article.

This site requires a subscription or purchase to access the full text of books or journals.

Do you have any questions? Contact us.

Or login to access all content.