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Antropofagias: um livro manifesto!

Práticas da devoração a partir de Oswald de Andrade

Edited By Eduardo Jorge De Oliveira, Pauline Bachmann, Dayron Carrillo Morell and André Masseno

Inseparável da personalidade de Oswald de Andrade e da sedição implícita em seu chamado para a "absorção do sagrado inimigo", o "Manifesto Antropófago" (1928) representa uma das mais arrumadas alegações do modernismo literário no Brasil. Antropofagias: um livro manifesto! convida a (re)ler as diretrizes antropológicas do pensamento oswaldiano e suas declinações nas artes e letras brasileiras. Sem pretender ser um documento histórico, o caráter manifesto deste volume visa marcar uma presença na análise do consumo cultural que distingue a produção de conteúdo estético do Modernismo, com ensaios que abordam a validade e as mutações epistemológicas de um texto em constante diálogo com os contextos crítico-históricos em que se desenvolveu a noção do que significa ser antropófago.

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Prefácio

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“Hoje somos antropófagos. E foi assim que chegamos à perfeição” (Machado, 1976: 1). O abalo temporal e o sentido iterativo contido na frase escrita por Antônio de Alcântara Machado no “abre-alas” do primeiro número da Revista de Antropofagia em maio de 1928, merece um momento inicial de reflexão. Em primeiro lugar, por reivindicar o itinerário de uma condição histórica que não esgota seus propósitos no futuro; em segundo, expressando-se em um presente que já se faz imediatamente passado, por assumir a prática do pensamento em seu estado perene de obsolescência, onde cada menção à cultura crítica, no mínimo, seria sua própria superação.

A Revista de Antropofagia teve duas dentições que, de maneira icônica, trabalharam a mordida do canibal modernista a serviço de sua cultura. A primeira, com dez números, foi de maio de 1928 a fevereiro de 1929, enquanto a segunda, publicada nas páginas do jornal Diário de São Paulo, continuou sendo editada até agosto do mesmo ano. Os autores-editores prolongaram o espírito irreverente e carnavalesco no âmbito da sisuda cultura brasileira, antes mesmo da eclosão oficial do Modernismo com a Semana de Arte Moderna em 1922 no Teatro Municipal de São Paulo.

Indissociável da complexa personalidade de Oswald de Andrade, a conceitualização da antropofagia cultural teve diversos pontos de idas e vindas no discorrer do século...

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