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Antropofagias: um livro manifesto!

Práticas da devoração a partir de Oswald de Andrade

Edited By Eduardo Jorge De Oliveira, Pauline Bachmann, Dayron Carrillo Morell and André Masseno

Inseparável da personalidade de Oswald de Andrade e da sedição implícita em seu chamado para a "absorção do sagrado inimigo", o "Manifesto Antropófago" (1928) representa uma das mais arrumadas alegações do modernismo literário no Brasil. Antropofagias: um livro manifesto! convida a (re)ler as diretrizes antropológicas do pensamento oswaldiano e suas declinações nas artes e letras brasileiras. Sem pretender ser um documento histórico, o caráter manifesto deste volume visa marcar uma presença na análise do consumo cultural que distingue a produção de conteúdo estético do Modernismo, com ensaios que abordam a validade e as mutações epistemológicas de um texto em constante diálogo com os contextos crítico-históricos em que se desenvolveu a noção do que significa ser antropófago.

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Introdução – Um abre-alas antropófagoda Revista à marcha das utopias: (P. Bachmann / D. Carrillo-Morell / A. Masseno / E. J. de Oliveira)

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P. Bachmann / D. Carrillo-Morell / A. Masseno / E. J. de Oliveira

Da Revista à marcha das utopias

Muito antes do “Manifesto da Poesia Pau-Brasil” ser publicado no Correio da Manhã em 18 de março de 1924, o antropófago-mor tinha criado o jornal O Pirralho, em 1911. Desde então ele teve uma vida controversa nas letras brasileiras ou, melhor, fez com que estas entrassem em um estado permanente de festa. Oswald de Andrade marcou profundamente o humor da literatura e, em geral, as culturas do Brasil. Além dessa intensidade que lhe era particular e de seu trabalho intelectual, Oswald nunca agia sozinho, sendo um destes sujeitos coletivos que agenciava acontecimentos, encontros e atividades públicas diversas. Talvez por isso que, para ele, a imprensa se converteu em ambiente propício para lançar novas ideias e gerar polêmicas, tornando-se o grande palco das manifestações oswaldianas. Entre jornais e revistas, Oswald de Andrade soube instrumentalizar o manifesto como um gênero literário de escrita rápida e arguta, inclusive com potencial memorialístico para o futuro. Por esse viés, o manifesto deve ser lido tanto no sentido estrito das vanguardas – isto é, como veículo instantâneo de novos valores programáticos –, quanto no sentido mais amplo, como uma erupção dos sintomas da cultura brasileira, cuja manifestação mais evidente – inclusive urgente – parece ser a fome. Uma fome que pode ser interpretada em termos de uma ávida “fome de...

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