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Espaços, tempos e vozes da tradução

Entre literaturas e culturas de língua portuguesa e língua alemã

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Edited By Kathrin Sartingen and Susana Kampff Lages

A tradução é tanto um recurso indispensável à sobrevivência, quanto o fundamento de novos mundos, materiais e imateriais. A dimensão ontológica e fenomenológica da tradução é desdobrada nos ensaios reunidos neste livro por pesquisadores dedicados à prática da tradução para dela extrair consequências teórico- críticas. Os textos aqui reunidos focalizam traduções intermediais, entre lugares físicos e figurados e entre línguas. Num mundo globalizado, onde novas mídias e linguagens surgem a todo instante, traduzir não só línguas mas também universos culturais complexos é tarefa a ser sempre de novo reproposta. É essa faceta da tradução que os textos desta coletânea apresentam a partir de uma renovada perspectiva que atualiza teorizações clássicas. A dimensão criativa e inventiva da tradução é mais uma vez lembrada e aqui apresentada como indispensável à superação dos desafios a vir.

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Contornos azuis: A escrita da percepção de Maria Gabriela Llansol Geografia de Rebeldes (Renata Bellicanta Pinheiro Sammer)

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Renata Bellicanta Pinheiro Sammer

para André Martins

Do mesmo modo, a Forma. Uma só, em possíveis várias. (Maria Gabriela Llansol, Na Casa de Julho e Agosto, p. 59)

Maria Gabriela Llansol (1931–2008) esteve entre as mulheres que, no século XX, indo além das expectativas, realizaram em suas escritas uma significativa virada ontológica, ressaltando a mobilidade das formas e a ficcionalidade dos limites das espécies e dos gêneros. O presente ensaio explora o espaço entre as formas – o espaço-entre – na trilogia Geografia de rebeldes, apresentando-o como condição de possibilidade das transformações. Procura-se, aqui, investigar os lugares, tempos e vozes que habitam o espaço-entre, e que possibilitam as traduções e as transições de uma forma à outra. Isso porque a escrita de Llansol não visa cultivar as formas como tais, mas, recusando a fixação exclusiva, reanimar o espaço entre as formas e a metamorfose como devir. A seguir, desenvolvo a hipótese, suscitada pela leitura da trilogia Geografia de Rebeldes, de que Maria Gabriela Llansol dá vazão a uma “escrita da percepção”, num trabalho análogo, na ficção, àquele do fenomenólogo, que se dedica – como deve ser – à interminável descrição. Meu propósito é demonstrar como a Geografia de Rebeldes llansoliana estimula o incessante movimento dos contornos das formas, estejam eles voltados à delimitação de países, viventes ou ideias, como podemos ler na seguinte...

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