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Espaços, tempos e vozes da tradução

Entre literaturas e culturas de língua portuguesa e língua alemã

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Edited By Kathrin Sartingen and Susana Kampff Lages

A tradução é tanto um recurso indispensável à sobrevivência, quanto o fundamento de novos mundos, materiais e imateriais. A dimensão ontológica e fenomenológica da tradução é desdobrada nos ensaios reunidos neste livro por pesquisadores dedicados à prática da tradução para dela extrair consequências teórico- críticas. Os textos aqui reunidos focalizam traduções intermediais, entre lugares físicos e figurados e entre línguas. Num mundo globalizado, onde novas mídias e linguagens surgem a todo instante, traduzir não só línguas mas também universos culturais complexos é tarefa a ser sempre de novo reproposta. É essa faceta da tradução que os textos desta coletânea apresentam a partir de uma renovada perspectiva que atualiza teorizações clássicas. A dimensão criativa e inventiva da tradução é mais uma vez lembrada e aqui apresentada como indispensável à superação dos desafios a vir.

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Itinerário de uma infausta tradução:: A mestiçagem brasileira em Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro e Elvira Vigna (Ângela Maria Dias)

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Ângela Maria Dias

A cena genealógica da tradução como dívida, atribuição, tarefa invocada por Benjamin (1921) em “A tarefa do tradutor” e recuperada por Derrida, em Torres de Babel (Derrida, Jacques: Torres de Babel. Trad. Junia Barreto. Editora UFMG: Belo Horizonte 2012, p. 57), caracteriza o ato de traduzir como “transmissão”, “deslocamento transferencial ou metafórico” (Benjamin, Walter: Origem do drama barroco alemão. Tradução, apresentação e notas de Sérgio Paulo Rouanet. Ed. Brasiliense: São Paulo 1984). Por esse movimento, o tradutor assegura a “pervivência” da obra, por meio de sua “transformação e renovação”, ou seja, de sua “maturação póstuma” (Benjamin 2013, p. 107).

Nessa linha do diálogo encetado por Derrida com Benjamin, o filósofo francês reconhece a tradução como “experiência, o que se traduz ou se experimenta” e no reverso da correlação acrescenta “também a experiência é tradução” (Derrida 2002, p. 69).

No início de Torres de Babel, o pensador da desconstrução observa que Jakobson, no ensaio “On translation” (1959), diferencia três formas de tradução: “a tradução intralingual ou reformulação”, que “interpreta signos linguísticos por meio de outros signos da mesma língua”; “a tradução interlingual ou tradução ‘propriamente dita’”, que faz o mesmo por meio de uma língua diferente; e finalmente a “tradução intersemiótica ou transmutação”, que...

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