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Espaços, tempos e vozes da tradução

Entre literaturas e culturas de língua portuguesa e língua alemã

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Edited By Kathrin Sartingen and Susana Kampff Lages

A tradução é tanto um recurso indispensável à sobrevivência, quanto o fundamento de novos mundos, materiais e imateriais. A dimensão ontológica e fenomenológica da tradução é desdobrada nos ensaios reunidos neste livro por pesquisadores dedicados à prática da tradução para dela extrair consequências teórico- críticas. Os textos aqui reunidos focalizam traduções intermediais, entre lugares físicos e figurados e entre línguas. Num mundo globalizado, onde novas mídias e linguagens surgem a todo instante, traduzir não só línguas mas também universos culturais complexos é tarefa a ser sempre de novo reproposta. É essa faceta da tradução que os textos desta coletânea apresentam a partir de uma renovada perspectiva que atualiza teorizações clássicas. A dimensão criativa e inventiva da tradução é mais uma vez lembrada e aqui apresentada como indispensável à superação dos desafios a vir.

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Traduzir ruínas: Notas sobre um esboço literário de Kafka e um eco borgiano1 (Susana Kampff Lages / Kathrin Sartingen)

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Susana Kampff Lages/Kathrin Sartingen

[...] Se eu jamais conseguisse escrever um conjunto maior bem formado do princípio até o final, então a história nunca mais iria conseguir se desligar de mim e eu poderia assistir tranquilamente e de olhos abertos, como parente consanguíneo de uma história saudável, à sua leitura em público, mas desse modo cada pequeno pedaço da história corre solto por aí sem encontrar abrigo e me empurra para a direção oposta [...]

(Franz Kafka. Diários. Novembro de 1911, nossa tradução)

Toda tradução é produto de um acontecimento disruptivo fundamental, como assinalou Walter Benjamin (2011; 1991) ao tomar emprestado à Cabala de Isaac Luria a imagem do ato da criação divina como quebra de vasos para descrever uma cena originária da tradução e definir, com ela, a tarefa do tradutor como atividade destrutiva, mas também amorosamente construtiva. Destruir e reconstruir – eis o que está em jogo numa tradução. Nesse sentido, traduzir implica um modo de escrever que pressupõe necessariamente a análise e decomposição do original, redigido numa língua estrangeira, e sua recomposição na língua do tradutor. Aqui proporemos uma reflexão a partir de um experimento de retradução, buscando preservar, na medida do possível, alguns aspectos da forma do manuscrito, dos três primeiros de uma série de seis fragmentos de caráter autobiográfico intitulada “O pequeno morador das...

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