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Espaços, tempos e vozes da tradução

Entre literaturas e culturas de língua portuguesa e língua alemã

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Edited By Kathrin Sartingen and Susana Kampff Lages

A tradução é tanto um recurso indispensável à sobrevivência, quanto o fundamento de novos mundos, materiais e imateriais. A dimensão ontológica e fenomenológica da tradução é desdobrada nos ensaios reunidos neste livro por pesquisadores dedicados à prática da tradução para dela extrair consequências teórico- críticas. Os textos aqui reunidos focalizam traduções intermediais, entre lugares físicos e figurados e entre línguas. Num mundo globalizado, onde novas mídias e linguagens surgem a todo instante, traduzir não só línguas mas também universos culturais complexos é tarefa a ser sempre de novo reproposta. É essa faceta da tradução que os textos desta coletânea apresentam a partir de uma renovada perspectiva que atualiza teorizações clássicas. A dimensão criativa e inventiva da tradução é mais uma vez lembrada e aqui apresentada como indispensável à superação dos desafios a vir.

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Traduzindo e interpretando as vozes dissonantes no túmulo de Rilke: Os obituários de Walter Benjamin e de Robert Musil (Kathrin Holzermayr Rosenfield)

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Kathrin Holzermayr Rosenfield

Rilke faleceu em 29 de dezembro 1926. Nos dias seguintes, escritores e críticos estavam às voltas com a avaliação do legado artístico do poeta. Gostaria de apresentar aqui duas dessas vozes – as de Walter Benjamin e de Robert Musil. Suas apreciações não poderiam ser mais dissonantes, muito embora ambas tenham suas razões de ser e seu peso na história das literaturas austríaca e alemã. Musil escreve como artista e intelectual que pertence à geração de Rilke, em que viveu e entende as contradições das existências que chegaram à maturidade antes do grande abalo da guerra de 1914–18, apesar de sentir, justo por isso, a necessidade de abrir novos caminhos para o pensamento e a literatura. Benjamin, ao contrário, toma a palavra como um tradutor experimentado com a literatura francesa e como crítico da literatura alemã – e justo no momento em que decidiu, inspirado por Asja Lacis, converter-se para a visão mais radical dos escritores jovens como Brecht e de ativistas dispostos a usar a arte como meio de educação social e política. Certas colorações do estilo combativo receberam seu impulso sem dúvida desse momento de transição, quando Benjamin começa a distanciar-se de muitos dos seus autores prediletos (Hofmannsthal, George1). Se Musil honra Rilke como o ápice da poesia alemã, mas sem esconder o que nela há de duvidoso, nem negar que essa elevação também...

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