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Cinema de migração em língua portuguesa

Espaço, movimento e travessia de fronteiras

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Edited By Kathrin Sartingen and Esther Gimeno Ugalde

O cinema como imagem ou contra-imagem, como narrativa ou contra-narrativa da vida real não ficou indiferente às movimentações e ondas migratórias globais. Nas últimas décadas, as representações de experiências migrantes e diaspóricas têm adquirido uma posição relevante nas narrativas cinematográficas.

Este livro propõe uma aproximação teórica ao conceito do assim chamado «cinema de migração». Além disso, acompanha as reflexões a respeito de alguns dos exemplos mais notáveis do cinema de migração em língua portuguesa, analisando diversos exemplos de Portugal, Brasil, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Finalmente, discutem-se novas tendências como o «cinema de migração poliglota», os seus «espaços intermitentes» e «paisagens faladas» para desembocar na constatação que são «as fronteiras que nos fazem».

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Karim Aïnouz: a temática migratória no cinema brasileiro e o filme como meio migratório (Bernhard Chappuzeau, University of West Bohemia / Humboldt-Universität zu Berlin)

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Bernhard Chappuzeau

O cinema sempre fica caraterizado como viagem, passagem ou travessia para conhecer outras perspetivas, lugares e culturas, já que o deslocamento por meio do filme apresenta uma dimensão central da nossa compreensão da intersubjetividade. Além disso, as modalidades artísticas refletem elas próprias os movimentos migratórios de conceitos fílmicos, contatos linguísticos e outros aspetos de produções mobilizadas entre as culturas. Estudos sobre o cinema brasileiro enfatizam a relevância da localização cultural e a representação coletiva da nação: “Brazilian films can still most usefully be viewed first and foremost as products of their local cinematic culture and socio-political context” (Shaw / Dennison 2007, p. 1). Na perspetiva dos críticos, cada movimento cinematográfico fica emoldurado e delimitado num contexto político-social que contribui para o projeto aberto da história da nação. Assim o detalha Lúcia Nagib: “Cinema has almost always, even when it has got it wrong, acted as a kind of moral opinion poll, sounding out the collective soul of the Brazilian people, as well as playing a significant role in documenting the nation’s historical process” (Nagib 2007, xi). Os estudos de Andrew Higson esclarecem que a ideia do cinema nacional propõe um marco normativo de identificação para se focar na comunidade imaginada. Na verdade, o cinema sempre se afastou desse conceito devido às formas de produção e receção: “es inapropiado suponer que el cine y...

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