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Mio Cid e D. Sebastião

Construções de unidade e diferença nas literaturas ibéricas do século XX

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Lydia Schmuck

Mio Cid e D. Sebastião são figuras centrais no discurso identitário da Península Ibérica. Sobretudo no século XX, marcado por transformações políticas, servem para tomar posição relativamente à situação nacional. O estudo investiga, de uma perspectiva ibérica, o recurso às figuras míticas nas literaturas espanhola e portuguesa do século XX. Exploram-se, por um lado, as construções mútuas de identidade e alteridade e, por outro, os temas que se discutem mediante estas figuras. Situada na intersecção dos Estudos Literários com a Sociologia, a análise centra-se na manifestação literária do discurso mitológico, na sua relação com outros temas e no seu posicionamento no contexto sociopolítico.
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3. D. Sebastião e o sebastianismo

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3.  D. Sebastião e o sebastianismo

3.1  O mito sebástico na sua origem histórica

O mito sebastianista tem a sua origem na figura histórica de D. Sebastião (1554–1578), rei de Portugal de 1568 a 1578.77 É descendente de Joana de Áustria (1535–1573), filha de Carlos V, e D. João (1537–1554), filho mais novo de D. João III, rei de Portugal dessa época. O pai de D. Sebastião, que é o único filho do rei D. João que chega à idade juvenil, morre dezoito dias antes do nascimento do seu filho. Devido ao facto de não existir nenhum outro herdeiro português, o país encontra-se em perigo de perder a autonomia política por causa da relação familiar com a corte espanhola (Filipe II de Espanha é neto de D. Manuel I de Portugal). Consequentemente, o desejo de independência liga-se a D. Sebastião. Devido às trágicas condições do seu nascimento, ainda em vida é chamado «miraculoso Rei» ou «filho das lágrimas»,78 nascido na última hora para salvar o seu povo.

Visto que D. Sebastião tem apenas três anos quando, em 1557, morre D. João III, obtém primeiro a mulher do rei falecido, D. Catarina, e depois o irmão mais novo deste, Cardial Henrique, a regência do país. Aos 14 anos, em 1568, D. Sebastião sobe ao trono...

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