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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Edited By Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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A Alemanha e a Europa do Sul, 1933–1945: relações influentes, angústias, ansiedades

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Fernando Clara / Cláudia Ninhos

Entre 1940 e 1942 foram publicados em Berlim, pela editora Fremdsprachendienst, 78 números da revista O Espelho de Berlim, que tinha como director o brasileiro «Dr. José de Albuquerque».

Tratava-se de uma revista em português dirigida à comunidade luso-brasileira e semelhante a inúmeras outras, de divulgação e propaganda, que a Alemanha nazi fez publicar e distribuir, interna e externamente, a partir de 1933 (A Esfera, Sinal, Jovem Europa, etc.). Em 1942 a revista mudou de nome, passando a intitular-se O Espelho do Continente, uma alteração relevante que indicia um realinhamento mais agressivo da máquina de propaganda alemã, reflectindo ao mesmo tempo o optimismo irrealista da visão nacional-socialista que lhe está subjacente, como desejo, de um continente europeu sob o domínio da Alemanha. O último número d’O Espelho do Continente terá sido publicado no início de 1944.

Como é bem sabido, na base da proliferação deste género de revistas na época estão inovações técnicas que permitiram agilizar e melhorar significativamente a impressão em papel, assim como a existência ou criação de redes comunicacionais de distribuição da informação que se revelavam cada vez mais fiáveis, eficazes e rápidas. Estas condições técnicas, por seu turno, produziram importantes transformações nos domínios do espaço público e da comunicação de massas, domínios esses a que o...

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