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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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Os limites do fascismo transnacional: falangismo, nacional-socialismo e a influência do III Reich em Espanha (1931–1945)

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Xosé M. Núñez Seixas

Todos os movimentos fascistas se inspiram num nacionalismo radical que, por seu turno, aspira a uma palingénese, um renascimento radical e catártico da própria nação a que apelam, convertendo-a no sujeito da revolução (Laqueur, 1997: 21–27; Griffin, 1991: XI). Também os grupos fascistas espanhóis, como os restantes movimentos fascistas europeus e de outras partes do mundo, se caracterizaram, desde o seu nascimento, por defenderem de forma radical a sua originalidade e o seu carácter profundamente nacional. E, por conseguinte, rejeitavam a etiqueta de «fascistas» que de fora lhes era aposta, principalmente pelos seus opositores políticos.1 Porém, e com frequência de modo contraditório, também reclamavam participar de um movimento transnacional, que eles designavam genericamente como fascismo, que tinha como meta a renovação radical da vida política europeia como expressão de uma «nova modernidade» antidemocrática, filha das convulsões da I Guerra Mundial e do período entre as duas guerras. Por sua vez, essa nova modernidade iluminaria um mundo caracterizado pela irrupção da política de massas, pelo culto do irracionalismo filosófico, da violência e do darwinismo social, pelo progresso tecnológico, pelo corporativismo social, pela devoção a líderes carismáticos, pela omnipotência do Estado identificado com a nação e, ainda, pela superação do individualismo liberal (Griffin, 2007).

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