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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Edited By Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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A Alemanha e a Europeização da Espanha. Do «Desastre Colonial de 1898» à Segunda Guerra Mundial: Os Bolseiros da Junta para la Ampliación de Estudios

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Marició Janué i Miret

1. O «Desastre de 1898» e as reivindicações de regeneração e europeização em Espanha

Em 1898 a Espanha perdeu as suas últimas colónias, Cuba, Porto Rico e Filipinas. Este «desastre colonial» levou ao surgimento de um movimento denominado «regeneracionista» que, partindo de diversos pontos de vista políticos, reclamava a reforma do sistema parlamentar liberal e da sociedade espanhola, como condição incontornável para a salvação da pátria (Saz Campos, 2003: 70–78). Tudo isto sucedia no mesmo momento em que nas chamadas regiões «periféricas» do país se consolidavam movimentos políticos que defendiam nacionalismos alternativos ao espanhol. Os intelectuais espanhóis regeneracionistas da chamada «geração de 98» assimilaram as teorias científicas primordialistas, então em voga, e formularam a ideia de uma Espanha profundamente doente (Janué i Miret, 2007b: 523–536), um «problema de Espanha» que era necessário resolver se se queria salvar a pátria ameaçada (Álvarez Junco, 2001: 586–588; Carpintero, 2001: 186–192; Marías, 1993: 36–38; Fox, 1997: 11–14). Os regeneracionistas rejeitavam tanto os «egoísmos locais» como o caciquismo, por eles considerados os principais motivos da decadência do país. Na procura das causas da decadência espanhola, uma parte deles recorreu ao Krausismo que, baseado na obra do filósofo alemão Karl Christian Friedrich Krause, defendia que a evolução de um povo, do seu direito, cultura...

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