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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

Series:

Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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A arqueologia alemã em Portugal e em Espanha na primeira metade de novecentos: uma ciência, um paradigma, duas realidades (um primeiro esboço)

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Ana Cristina Martins

«O desconhecimento do país, e portanto a falta de consciencia nacional, faz […] que todos prefirão sempre ao que é nosso o que vem de fora, ainda quando este não é melhor […]».(Vasconcelos, 1915: 14–15)

1. O início

Desde setecentos que a Península Ibérica atraiu jovens cumpridores do Grand Tour conduzido, habitualmente, em territórios geradores da cultura ocidental, em demandas estéticas sob um céu imaculado protector de um Mediterrâneo pleno de ancestralidades a reencontrar para afirmações contemporâneas. Munidos de papel, carvão e tinta, percorreram montes e vales em busca de fontes primevas de arquitecturas bosquejadas tenuemente nas suas regiões natais, perscrutando glórias de seus antepassados. Retornando ao aconchego dos seus lares, transportaram registos inigualáveis de um património a sucumbir, lenta e parcialmente, nos atribulados anos vindouros, convertendo-se, por vezes, na única remanescência imagética a imortalizar geracionalmente. Mais do que isso, transferiram saberes, sentires e fazeres a timbrar nas paisagens serenas de suas províncias originais, suscitando, nuns casos, e consolidando, noutros, o apreço pelas antiguidades, clássicas e nacionais. Gosto traduzido em colecções privadas, espaços museológicos, conferências, publicações e gramáticas decorativas aplicáveis em diferentes suportes e circunstâncias, elitizando apreços e comportamentos. Enquanto isso, teciam redes de contacto essenciais numa Europa em renovação profunda, para firmar osmoses intelectuais substantivas da actualidade.

Portugal...

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