Show Less
Restricted access

Vozes femininas de África

Poesia e Prosa

Series:

Anne Begenat-Neuschäfer and Flavio Quintale

A idea do presente volume nasceu durante o VIII Congresso de Lusitanistas da Alemanha, em 2009, em Munique, na seção intitulada Escritoras da África Lusófona. Este volume apresenta os primeiros resultados dos estudos desses discursos literários multi-facetados das autoras africanas de língua portuguesa. Uma introdução poética de Ana Mafalda Leite e uma entrevista de Ondjaki com Ana Paula Tavares completam os ensaios críticos deste volume.
The idea for the present volume arose at the 8th German Lusitanistentag in Munich in 2009, in a sub-session entitled Women Writers in Lusophone Africa. This volume presents a first assessment of the manifold forms of literary discourse of women writers from the Portuguese-speaking countries of Africa. The poetic introduction of Ana Mafalda Leite and the dialogue between Ondjaki and Ana Paula Tavares complete the critical appreciation of the work of creative writers.
Show Summary Details
Restricted access

Globalização, cultura e identidade em Orlanda Amarílis: Benjamin Abdala

Extract

Benjamin Abdala Junior

Num texto de 1989, analisamos a circulação cultural entre o Brasil, Portugal e África, tendo como motivo condutor a imagem de Pasárgada, de Manuel Bandeira. Procuramos então discutir essa figuração utópica por recorrência a Osvaldo Alcântara (pseudônimo poético de Baltasar Lopes) e a Ovídio Martins. O primeiro, com os “pés” em Cabo Verde, sonha à Bandeira com uma pasárgada que existiria em outra margem do oceano. Se o poeta brasileiro imagina um reino com um rei bonachão que lhe permitiria todas as “libertinagens” (título da coletânea do poeta brasileiro), Osvaldo Alcântara tem saudade de uma pasárgada futura que encontraria no “caminho de Viseu” (“… indo eu, indo eu,/ a caminho de Viseu”1). Osvaldo Alcântara, repetimos, estava com os pés em Cabo Verde, mas a cabeça inclina-se para fora, para as possibilidades de se encontrar plenitude na imigração. Sua perspectiva é aquela que historicamente sempre se colocou para seu povo de migrantes e ele não deixa de ter consciência de que “esta saudade fina de Pasárgada/ é um veneno gostoso dentro do meu coração”2. A partir das carências de sua terra, Osvaldo Alcântara sonha com o que não tinha.

Ao contrário de Osvaldo Alcântara, Ovídio Martins – identificado com os pressupostos ideológicos da Casa dos Estudantes do Império em Lisboa – já estava insatisfeito...

You are not authenticated to view the full text of this chapter or article.

This site requires a subscription or purchase to access the full text of books or journals.

Do you have any questions? Contact us.

Or login to access all content.