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Contactos linguísticos na sequência da expansão portuguesa

von Gerda Haßler (Band-Herausgeber:in) Barbara Schäfer-Prieß (Band-Herausgeber:in)
Sammelband 222 Seiten
Reihe: Iberolinguistica, Band 5

Zusammenfassung

Como povo marítimo que no século XV iniciou a expansão atlântica europeia, os portugueses entraram cedo em contacto com muitas culturas e línguas diferentes. O contacto entre as línguas fez surgir variações, o que atualmente se traduz numa polifonia no espaço linguístico lusófono e em cujo desenvolvimento ocorreram vários processos de transformação.

Inhaltsverzeichnis

  • Cobertura
  • Título
  • Copyright
  • Sobre o autor
  • Sobre o livro
  • Este eBook pode ser citado
  • Contactos linguísticos na sequência da expansão portuguesa
  • List of Contributors
  • Introdução (Gerda Haßler & Barbara Schäfer-Prieß)
  • Uma língua - muitas vozes: para uma política linguística pluricêntrica do português1 (Ana Paula Banza)
  • Presença do português na conjuntura linguística brasileira do século XVI (Ricardo Cavaliere)
  • Sprachkontakt und die Genese eines endogenen Standards des angolanischen Portugiesisch (Benjamin Meisnitzer)
  • Portugiesisch und Kreolisch – Probleme der Diglossie auf den Kapverdischen Inseln (Michael Scotti-Rosin)
  • Portugiesisch und die indischen Sprachen – Verschlungene Entlehnungswege und ihre Bedeutung für den multilingualen Raum (Tabea Salzmann)
  • O estatuto missionário da língua portuguesa em Timor-Leste (Karin Noemi Rühle Indart)
  • A prosódia no português continental e no arquipélago dos Açores (Lurdes de Castro Moutinho & Rosa Lídia Coimbra)
  • Ritmo em contato – Contornos rítmicos de falantes do português europeu e brasileiro em alemão como L2 (Sarah Waldmann)
  • Os De institvtione grammatica libri tres do gramático português Manuel Álvares (1526–1583) e a emergência de tradições textuais divergentes na Europa quinhentista (Rolf Kemmler)
  • Die Beurteilung des Portugiesischen in zwei kastilischen Übersetzungen der Lusíadas von 1580 (Barbara Schäfer-Prieß)
  • Presença de galicismos em nomes de empresas em Portugal (Rosa Lídia Coimbra & Lurdes de Castro Moutinho)
  • A polifonia na fala profética parodiada e na mudança de perspetiva (Gerda Haßler)
  • Obras publicadas na série

List of Contributors

Ana Paula Banza

Universidade de Évora

Lurdes de Castro Moutinho

Universidade de Aveiro

Ricardo Cavaliere

Universidade Federal Fluminense

Rosa Lídia Coimbra

Universidade de Aveiro

Gerda Haßler

Universität Potsdam

Rolf Kemmler

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real

Benjamin Meisnitzer

Universität Leipzig

Karin Noemi Rühle Indart

Universidade do Minho

Tabea Salzmann

Universität Bremen

Barbara Schäfer-Prieß

Ludwig-Maximilians-Universität München

Michael Scotti-Rosin

Mainz/Bremen

Sarah Waldmann

Freie Universität Berlin

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Gerda Haßler & Barbara Schäfer-Prieß

Introdução Contactos linguísticos na sequência da expansão portuguesa

Este volume contém a seleção dos trabalhos da secção de Linguística apresentados no 12º Congresso Alemão Lusitanista que se realizou a 13 a 16 de setembro de 2017 na Universidade Johannes Gutenberg, em Mainz. O mote dado neste congresso foi o da “Polifonia: uma língua, muitas vozes”, o qual permite vários pontos de abordagem linguística.

Como povo marítimo que no século XV iniciou a expansão atlântica europeia, os portugueses entraram cedo em contacto com muitas culturas e línguas diferentes. O contacto linguístico daí resultante e as consequências advindas, tanto para o povo português como para as línguas de contacto – não europeias e europeias – foram objeto dos trabalhos científicos apresentados pela secção de Linguística. O contacto entre as línguas fez surgir variações, o que atualmente se traduz numa polifonia no espaço linguístico lusófono e em cujo desenvolvimento ocorreram vários processos de transformação. A diversidade linguística resultante foi igualmente tratada em artigos apresentados, como é o caso da investigação sobre a adoção do português de determinado vocabulário de línguas europeias, africanas, asiáticas e americanas, e vice-versa. Também foram bem-vindos os trabalhos científicos que incidiram sobre a linguística missionária, as línguas crioulas e o contacto do português com outras línguas não europeias e europeias em África, Ásia e Brasil. Ainda para a formulação de pontos de vista subjetivos em textos e em conversações podem ser utilizadas variações surgidas do contacto linguístico. Uma tal ‘polifonia fingida’ foi igualmente objeto do trabalho científico desta secção, como a diversidade real das variações linguísticas e a descrição gramatical do português, partindo de posições diferentes do ponto de vista histórico e da atualidade.

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A expansão da língua portuguesa para quatro continentes e ainda a formação de diasistemas distintos, ou seja, de diferentes variações resultantes do processo de descolonização na história do português é analisado nos primeiros sete artigos. Os demais cinco trabalhos incluem outros aspetos das variações linguísticas e da polifonia do português.

Ana Paula Banza (Évora) ocupa-se com a expansão da língua portuguesa durante o longo período que se estende do século XV até ao século XXI. A evolução da língua portuguesa em continentes diferentes e no contacto com outras línguas fez surgir uma multiplicidade, na qual a lusofonia atualmente se apresenta como polifónica. A polifonia é aqui entendida como o desenvolvimento e expressão diferentes de uma mesma língua, formando variações, existindo, contudo, uma harmonia entre elas, formando, assim, um todo. Nesta base, ela dirige-se ao problema enquanto pertencente à norma, já desenvolvida, encontrando-se, portanto, em determinadas variações apenas a partir do surgimento das mesmas. Pleiteara ainda uma política linguística pluricêntrica que, após a monocêntrica, que se orientava por Portugal, e a bicêntrica, que incluiu o Brasil, passa a dar igual atenção à lusofonia noutros continentes, vendo-a justamente como parte de um todo.

Ricardo Cavaliere (Rio de Janeiro) parte do estado ainda insuficiente do estudo do material relativamente ao português do Brasil dos séculos XVI e XVII que se encontra guardado em arquivos portugueses, espanhóis, franceses, ingleses, alemães e austríacos. Existem, para já, indicações metodológicas de avaliação e, de acordo com as mesmas, um breve esboço relativo à situação linguística no Brasil do século XVI. Segundo essa breve avaliação inicial, estamos perante várias opiniões controversas no que diz respeito à desenvolvimento da língua geral no Brasil. Assim, a língua dos Tupinambá, que originalmente era apenas falada numa determinada região costeira, terá sido imposta pelos colonizadores como meio de comunicação a tribos falantes de outras línguas. A influência das línguas crioulas com raízes no português e surgidas antes da colonização da América é apresentada como uma hipótese. Por fim, é enfatizada a diversidade das variações do português exportadas para o Brasil. As alterações na língua remetem justamente para a esta diversidade, tal como para a aprendizagem do português como segunda língua.

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A expansão para a África é analisada por Benjamin Meisnitzer (Leipzig), tomando como exemplo o contacto entre línguas e a génese de uma normapadrão endógena do português angolano. Relativamente a Angola, ele diferencia entre tendências generalizadas, ancoradas no sistema da língua histórica, e processos de alteração linguística que possivelmente tenham sido favorecidas pelo contacto com o bantu e outras línguas autóctonas. Perante um número sempre crescente em falantes L1 do português em Angola, assim como através da transformação e inovação linguística vivas, alheias ao português europeu, forma-se sucessivamente uma normapadrão endógena, própria do português de Angola, a poder afirmar-se juntamente com as variações português europeu e português do Brasil.

Alguns problemas da diglossia portugueso-crioula da ilha de Cabo Verde são apresentados por Michael Scotti-Rosin (Mainz). O bilinguismo português cabo-verdiano não apresenta, de forma alguma, um caráter geral, mas depende de diferentes condições diatópicas, diastráticas e diafásicas. Para poderem comunicar entre si, os escravos africanos apropriaram-se de fragmentos da língua portuguesa, simplificando-os ainda mais. Este pidgin, ou língua de contacto, não constituiu em tempo algum a língua mãe dos escravos, tendo sido apenas utilizada o necessário e posteriormente abandonada. Numa fase seguinte, desenvolveu-se a partir desta mistura de línguas o português crioulo, o qual apresentava todas as características de um idioma completo. Através da marcação pré-verbal de tempo, modo e aspeto do cabo-verdiano, esta língua crioula tornou-se praticamente incompreensível para nativos portugueses. O vocabulário do cabo-verdiano que não seja de origem portuguesa originou-se sobretudo a partir de diferentes línguas da África ocidental que, pelo menos de um ponto de vista genealógico, não pertencem à mesma família.

Tabea Salzmann (Bremen) investiga a influência de línguas de contacto no português num outro espaço geográfico: na India e no sul da Ásia. Para o efeito, ela baseia-se em documentos do contexto colonial português da Índia e do sul asiático do século XVI e apresenta possíveis cenários de contacto com a língua. O espaço linguístico do então Estado da Índia mostra-se, já numa análise relativamente limitada do léxico sob a inclusão de fontes originais, bastante heterogéneo e multilíngue.

A expansão do português na República de Timor-Leste, no sul asiático, é o tema apresentado no artigo de Karin Noemi Rühle Indart (Braga). ←11 | 12→Foram sobretudo os missionários dominicanos que no início da colonização fomentaram a difusão do português e, em nome da coroa portuguesa, estavam ainda incumbidos de cristianizar a ilha, fechar acordos políticos e cuidar do comércio de sândalo. Após se ter estabelecido o domínio político-militar, ordens religiosas criaram o sistema educativo e, nesse sentido, permaneceram a todos os tempos determinantes na fomentação da língua portuguesa em Timor.

Biographische Angaben

Gerda Haßler (Band-Herausgeber:in) Barbara Schäfer-Prieß (Band-Herausgeber:in)

Gerda Haßler é professora universitária de Linguística e Linguística Aplicada no Instituto de Estudos Românicos da Universidade de Potsdam. A sua investigação centra-se na sintaxe funcional, na pragmática histórica e na história da linguística. Barbara Schäfer-Prieß é professora no Instituto de Filologia Românica da Universidade Ludwig-Maximilian de Munique. Os seus interesses de investigação incluem a história da linguística, a gramaticalização e a linguística das expressões cromáticas.

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Titel: Contactos linguísticos na sequência da expansão portuguesa