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Outras Margens / Autres Marges

A vitalidade dos espaços de língua portuguesa / La vitalité des espaces de langue portugaise

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Edited By Marie-Arlette Darbord

Cet ouvrage traite de « marges » à partir du point de vue de Laurent Mattiusi qui considère que « se situer en marge d’un lieu ne consiste pas à rompre avec lui sans retour, mais à prendre du recul pour voir sous l’angle de l’autre ». Les auteurs abordent ici la relation entre les pays de langue portugaise, relation définie par Édouard Glissant comme une éthique de l’altérité, comme la projection d’un renouveau. Sont examinées l’évolution de la langue, l’imaginaire littéraire ou artistique, l’histoire croisée de ces pays ou le métissage des cultures. Toutes ces façons d’aborder la question dévoilent une vitalité et une richesse incontestables. L’ouvrage permet de réfléchir à la multiplicité des échanges entre plusieurs continents, dessinant peut-être les traces d’une nouvelle mondialité enrichie par une éthique de la relation.

Esta obra fala de « margens » a partir do ponto de vista de Laurent Mattiusi que considera que « situar-se na margem dum lugar não consiste em afastar-se dele sem regresso, mas recuar para ver na perspectiva do outro ». Os autores abordam aqui a relação entre os países de língua portuguesa, relação definida por Édouard Glissant como uma ética da alteridade, como a projecção dum renascimento. São examinadas a evolução da língua, o imaginário literário ou artístico, a história cruzada desses países ou a mestiçagem das culturas. Todas estas formas de abordar a questão revelam uma vitalidade e uma riqueza incontestáveis. A obra permite de refletir na multiplicidade das permutas entre vários continentes, desenhando talvez as marcas duma nova mundialidade enriquecida por uma ética da relação.

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Uma Terra de ninguém (com gente dentro). Que língua fala a poesia? (Ana Luísa Amaral)

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Uma Terra de ninguém (com gente dentro)

Que língua fala a poesia?

Ana Luísa AMARAL

Universidade do Porto

1.  Poesia: uma pátria dentro de pátrias

Começo com duas ideias. A primeira: ainda que seja comunicação, o primeiro gesto da arte (neste caso, a poesia) é com ela própria. A interacção (que inclui a ideia de intenção, porque dirigido ao outro) vem depois. Mas o gesto primeiro é sempre um salto no vazio. Por vezes, escrever é também o que não se pode viver, o que não se pode sentir – por isso se pode o verso substituir à vida, prolongá-la, fazê-la passar para outras dimensões, criá-la, paralelamente. Por isso me parece que os grandes poemas foram sempre escritos em falha, embora mantendo com o real sempre uma relação.

A segunda ideia relaciona-se com a imagem da impressão digital. A impressão digital é o que melhor nos define como seres humanos, como indivíduos absolutamente únicos; não há duas impressões digitais iguais. Mas a impressão digital define-nos a identidade só do ponto de vista biológico. Eu sou portuguesa, eu não sou inglesa, nem alemã, nem francesa. Mas sou, dentro da minha individualidade, europeia. Sinto-me europeia. Porque a identidade é também identificação e a identificação constrói-se pela presença de memórias. O nosso...

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