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Calvet de Magalhães: Pensamento e Acção

Isabel Maria Freitas Valente

O presente livro pretende evidenciar até que ponto o pensamento e a acção do Embaixador José Thomaz Calvet de Magalhães (1915–2004), pioneiro da chamada diplomacia económica e um dos protagonistas da nossa adesão à Europa, foram importantes nesse processo.
Visa-se, ainda, demonstrar que a procura de um caminho europeu para Portugal e de uma relação sólida com os Estados Unidos se constituiu como parte essencial da sua actividade diplomática e intelectual, como campo de aplicação do exercício da diplomacia pura. Neste quadro, não deixa de ser importante relevar que essa procura de uma certa abertura de Portugal à Europa e ao mundo ocorre, numa época e num país ainda marcados, na sua política externa e de segurança, pelo pensamento geopolítico atlantista ou pelo isolacionismo nacionalista.
Ao analisarmos a vida e obra deste diplomata descobrimos o sinete do liberalismo, do humanismo kantiano e da interculturalidade. Pensamento e voz que, ontem como hoje, continuam de viva actualidade, que souberam aliar a graça do estilo à elevação do seu ideal – a diplomacia como sinónimo de paz e o caminho euro-atlântico para Portugal. Calvet de Magalhães foi protagonizando a história da participação de Portugal nos movimentos europeus, sempre crítico em relação ao desinteresse manifestado pelos portugueses relativamente aos assuntos europeus, lastimando a hostilidade e a descrença das autoridades políticas.
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Parte III – Pensamento e Acção Diplomática

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PARTE III

Pensamento e Acção Diplomática

Sou um europeu convicto desde longa data. Calvet de Magalhães, 18 de Março de 1981 A obra da nossa aproximação das instituições europeias nos seus primeiros passos resultou principalmente da conjugação de vários esforços e iniciativas pessoais, mais que do resultado de uma política consciente governamental, e a essa obra me achei pessoalmente ligado nalguns momentos cruciais dessa aproximação. Calvet de Magalhães, 18 de Março de 1981

1. A influência de Andrade Corvo – o Mestre

Calvet de Magalhães foi um dos mais importantes e notáveis diplomatas portugueses da segunda metade do século XX. Pertencia à linhagem dos aristocratas do espírito e era herdeiro de um certo franciscanismo essencial. Duas linhas de força dominaram a sua vida. A saber: a necessidade de acção constante, concreta e eficaz e a urgência em dar sentido a essa acção, através do seu pensamento, das suas reflexões, da sua utopia ancoradas nas fortes tradições liberais, nos exigentes valores éticos, no espírito de independência da sua família bem como em ombros de sábios mestres.

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