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Collecçam dos Papeis Anonymos

Editada por Hans Fernández e Pascal Striedner

Series:

Bento Morganti

Edited By Hans Fernández and Pascal Striedner

A Collecçam dos Papeis Anonymos constitui o primeiro texto do gênero spectator aparecido na península ibérica. Atribuída ao religioso Bento Morganti, a obra circulou na cidade de Lisboa — num contexto marcado pela Censura e Inquisição — em forma de folhas volantes entre os anos de 1752 e 1754. Ao longo de quatro coleções e 44 números, sua instância narrativa reflete com base em um pensamento próprio do Iluminismo sobre a necessidade de transformar a sociedade portuguesa, especialmente por meio da educação, com a finalidade de levá-la ao nível das mais avançadas da Europa.

A presente edição diplomática dá a conhecer o «Manuscrito de Coimbra» e tenta contribuir para a pesquisa dos spectators em Portugal.

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Sobres os Pobres mendicantes.

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Q Uando assistia na Corte conservava huma boa amizade, com hum Estrangeiro, homem de Negocio grande, que era bastantemente instruido, e prudente, o qual tinha huma quinta pouco distante de Lisboa, aonde hia passar todo o Veram em companhia da sua familia, e como esta ficava no campo todo aquelle tempo, vinha elle tratar de seus negocios, equasi todos os dias voltava, mas no Sabbado de tarde indispensavelmente me havia levar comsigo pa-[58]ra passarmos juntos o Domigo; porque na verdade as ocupaҫoens, e o divertimento, o trabalho, e o descanҫo devem dar a mam huns aos outros, e se vam revezando tam arrebatadamente, que se nam póde fazer habito de se possuirem juntos. Em o ultimo Sabbado, que fui em sua companhia logo fóra das portas de Santo Antam nos investiram dous pobres mendigos para que os socorressemos com alguma esmolla debaxo do pretexto ordinario da mulher, ou do filho em huma cama, de tres, ou quatro filhos pequenos incapazes de ganhar a vida, e que estam quasi morrendo de fome, ou de frio. Para nos vermos livres da sua impertinencia, foy precizo darlhe esmola, por que sem isso ordinariamente nam largam a gente, e continuamos nosso passeyo, acompanhados das acclamaҫoens, e devotos agradecimentos daquelles miseraveis.

Tanto que nos desviamos alguns passos, me disse o meu amigo Estrangeiro, nam he certo, que vamos andando cheyos de benҫoas, e oraҫoens destes dous pobres. Pois o mais certo he...

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