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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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Itália fascista e política de potência. A exportação da «ideia» fascista no Estado Novo português (1933–1943)

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Mario Ivani

A inclusão do Estado Novo na categoria de fascismo já foi largamente debatida pela historiografia internacional. As conclusões a que chegaram os vários estudiosos que se têm confrontado com esta questão oscilam entre a posição daqueles que incluem o caso português entre os fascismos e a daqueles que, pelo contrário, tendem a ler o regime político de Salazar como um clássico regime autoritário com apenas alguns traços, principalmente exteriores e insubstanciais, reproduzidos dos fascismos chamados maiores.

Não é, contudo, objectivo desta análise inserir-se num debate que marcou uma época historiográfica que, sem dúvida, produziu excelentes resultados do ponto de vista da análise teórica.1 É minha intenção, pelo contrário, tentar responder, ainda que brevemente e baseando-me num case-study específico, a algumas das muitas questões que essa mesma análise comparativa dos fascismos tem deixado em aberto. É minha convicção, de facto, que, a fim de alargar o espectro da comparação entre os regimes ditatoriais da chamada «época dos fascismos», é necessário estudar as relações que na prática existiram entre esses regimes, em todas as áreas, e a circulação de ideias e concepções que teve lugar fora dos canais institucionais, aprofundando assim, neste sentido, o ponto de vista da diplomacia clássica. Isto, claramente, onde ainda não tenha sido feito, ou onde tenha sido feito apenas de forma parcial, especialmente...

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