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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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A «questão da raça», as redes internacionais do Instituto Ibero-Americano de Berlim e as suas relações com Portugal (1933–1945)

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Fernando Clara

1. «Um motivo de especial preocupação»

Seja qual for o ponto de vista que se adopte para perspectivar a verdadeira catástrofe que se abateu sobre a Europa de 1933/39 a 1945, a noção de «raça», a par dos temas e tópicos que lhe são correlatos, desempenha um papel reconhecidamente central.

Essa sua centralidade é decerto indissociável da própria dimensão, também ela central, que a «questão judaica» e o holocausto ocupam na história-memória do período. Mas para o destaque muito particular que as discussões em torno da noção de «raça» então conhecem, concorrem ainda outros aspectos a que importa dar aqui também a devida atenção.

Porventura o primeiro desses aspectos diz respeito ao facto de se tratar de um conceito que tematicamente atravessa e se impõe, na época, aos mais variados tipos de discursos, do generalista ao mais especializado, do popular ou populista (estes praticados sobretudo na Alemanha nazi) ao social ou ao histórico-antropológico, sem esquecer naturalmente o biológico. Quer dizer: a noção de «raça» está omnipresente no espaço público europeu (ou mais genericamente ocidental) do período nazi e é precisamente a ruidosa ubiquidade do conceito que emerge destes discursos que o antropólogo britânico Geoffrey M. Morant (1939: 151) considera «um motivo de especial preocupação» («a matter of special concern»),1...

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