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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Edited By Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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A receção da eugenia alemã em Portugal, 1933–1945

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ntónio Fernando Cascais

O terreno para a receção da eugenia alemã entre 1933 e 1945 pela ciência portuguesa – que o mesmo é dizer: a teoria e a prática eugénica da biomedicina do regime nacional-socialista – estava a ser preparado há muito, desde os momentos iniciais do acolhimento do pensamento eugénico ainda no século XIX, no contexto da penetração, em Portugal, – e sem pretendermos de modo algum confundi-los numa amálgama indistinta – do positivismo, do darwinismo-social e do racismo anti-semita (Cleminson, 2011: 143; Cleminson, 2014; Madureira, 2003: 291; Pereira, 2001: 244–311, 479–528; Pimentel & Ninhos, 2013: 209–214) até ao virar das décadas de 20 para 30 do século XX, em que o pensamento eugénico já se encontrava difundido (Cleminson, 2011: 145; Cleminson, 2014) em amplas áreas da medicina, da biologia e da antropologia portuguesas:

O assunto foi discutido em revistas, em livros e em encontros científicos, embora se tenha generalizado apenas depois da queda da I República. É que, a partir dos anos 20, adotaram-se soluções políticas de natureza fascista e totalizante, que se pautavam por uma ideologia profundamente nacionalista, imperialista/colonialista e que aspiravam à formação de um ‘Homem Novo’ (Pimentel & Ninhos, 2013: 229).

Com efeito, ao contrário de se constituir em rutura com o movimento eugénico internacional, a eugenia nazi situava-se no prolongamento dele e apresentava linhas de continuidade com as tendências mainstream da medicina...

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