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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Edited By Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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Ayres de Azevedo: um eugenista português na Alemanha Nazi

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José Pedro Castanheira

Agosto de 1943. A guerra já se faz sentir todos os dias em Berlim. Por razões de segurança, até de sobrevivência, o embaixador de Portugal em Berlim, conde de Tovar, promove o repatriamento das mulheres e filhos dos funcionários da Legação e do consulado. As instruções, muito claras, vieram do próprio Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, que desde 1936 acumula a pasta dos Negócios Estrangeiros. A ordem para abandonar a Alemanha estende-se ainda aos vários bolseiros portugueses a estudar em Berlim.

Um dos membros da pequeníssima comunidade portuguesa a residir na capital do Reich, seguramente um dos mais jovens, é José Ayres de Azevedo. Com 32 anos, licenciado em Medicina, é dos que mais resistências levantam à ordem de repatriamento com que são literalmente intimados pelos diplomatas. Bolseiro do Instituto para a Alta Cultura (IAC), prepara o doutoramento na área da eugenia – o ramo da ciência que estuda o aperfeiçoamento e a higiene da raça, domínios em que a Alemanha está na vanguarda mais absoluta. Como mestre tem o barão Otmar von Verschuer, um dos cientistas que mais influência tiveram na definição da política racial do nazismo. A partir de Frankfurt ou de Berlim, percorrera tudo quanto é instituição ligada à política da raça do nazismo: hospitais, centros de pesquisa, departamentos de estado, tribunais, academias. Para além de um intenso trabalho de investigação...

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