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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Edited By Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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Espaços modernos. Governamentalidade em Lisboa e em Frankfurt/Main

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Jorge Freitas Branco

Introdução

O presente texto aborda as relações científicas e técnicas entre países, entendidas como transferências culturais e lidas numa perspetiva foucaultiana, aplicada aqui a processos de territorialização. Proporcionam ainda pistas consistentes, entre outros, os estudos sobre o papel da técnica (Zimmermann et al., 1999; Dienel, 1995), da ciência (Dinçkal et al., 2010) e das relações culturais nacionais comparadas (Espagne, 1999). Proponho-me levar a cabo uma leitura de recintos urbanos – Lisboa e Frankfurt/Main –, onde se construíram prédios de grande dimensão com funções específicas, na altura sem precedentes nos respetivos países.

O material em que me apoio assenta em trabalho de campo realizado em sucessivas deambulações feitas nos dois recintos selecionados – o Hospital de Santa Maria e o campus universitário de Westend –, assim como em informação documental. No terreno, senti-me inspirado na leitura intermitente do Passagen-Werk, de Walter Benjamin. Como uma inspiração convoca outra e tratando-se de uma comparação entre Portugal e a Alemanha, reli os Portugiesische Tagebücher (1979), de Curt Meyer-Clason. Do primeiro retive a entrega emotiva ao ambiente urbano, do segundo o exercício de diálogo crítico em sede de alteridade. Na comparação não basta fixar um espaço, há que adicionar-lhe um tempo. Pretendo abordar uma conjuntura de influências entre pessoas e governos, estabelecida nos anos 1930, quando nos dois países...

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