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A Angústia da Influência

Política, Cultura e Ciência nas relações da Alemanha com a Europa do Sul, 1933–1945

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Edited By Fernando Clara and Cláudia Ninhos

Os ensaios reunidos neste volume reflectem sobre a angústia da influência que a Alemanha nacional-socialista sente na sua relação específica com os países da Europa do Sul com quem, à época, tem afinidades ideológicas manifestas (Itália, Espanha, Portugal). E fazem-no, num quadro disciplinar polifacetado onde convivem e interagem a política, a cultura e a ciência. Não se trata de analisar a propaganda nacional-socialista ou de reflectir sobre as suas estratégias discursivas e retóricas, mas sim de procurar compreender o que fica aquém e além do seu discurso: como se caracterizam os contextos locais em que esta retórica se inscreve? Quais as modalidades que essa angústia da influência alemã conheceu ou adoptou? Quais as suas realizações efectivas, em termos culturais e científicos?
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Expectativas Goradas: rearmamento e auto-suficiência industrial no Portugal de entre-guerras

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Rui Aballe Vieira

Entre os anos finais da I República e o começo da II Guerra Mundial, a política de aquisição de armamento seguida pelos governos da Ditadura Militar e do Estado Novo, dependeu quase exclusivamente da importação dos principais centros produtores europeus. A incorporação de fabrico autóctone, dos navios de guerra às armas individuais da infantaria e respectivas munições, permaneceu rara ao longo de todo o período. Para aliviar e eventualmente tentar inverter essa dependência estratégica, foram envidados diversos esforços no sentido de potenciar as capacidades de produção locais, tendência que redobraria de intensidade após a constitucionalização do Estado Novo. Essas iniciativas tiveram um sucesso global mitigado, por força de uma série de constrangimentos internos.

Depois de Salazar enunciar publicamente, a 19 de Outubro de 1936,1 a intenção de encetar o rearmamento do Exército e da sua arma aérea (a Marinha fora contemplada, no início da década de 30), Lisboa converteu-se no palco de uma sobreproliferação de representantes de empresas oriundas de praticamente todas as nações europeias com indústrias de defesa, ávidos de contratos vultuosos.

Não obstante a retórica dominante pregar a indispensabilidade de auto-suficiência em registo de nacionalismo económico como um dos magnos objectivos da «renovação nacional», a indústria portuguesa, quer a privada quer a estatal, demonstrou ser incapaz...

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