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Uma Arena de Vozes / Arena der Stimmen

Intermedialidades e intertextualidades em literatura e cinema da América Latina, África Lusófona e Portugal / Intermedialität und Intertextualität in Literatur und Film aus Lateinamerika, Lusoafrika und Portugal

von Kathrin Sartingen (Band-Herausgeber:in) Melanie Strasser (Band-Herausgeber:in)
Sammelband 126 Seiten

Zusammenfassung

Die Beiträge dieses Sammelbandes widmen sich dem Zusammenspiel unterschiedlichster Stimmen in Literatur und Film aus Lateinamerika, Lusoafrika und Portugal sowie deren intermedialen, intertextuellen und transkulturellen Verflechtungen. Sie bewegen sich innerhalb kolonialer und postkolonialer Fragestellungen und Diskurse, die bis heute in der kulturellen Produktion der lusophonen Welt nachhallen. Die Sprache wird zur Arena, in der aus unterschiedlichsten Perspektiven eine Vielzahl von Narrativen über die (Neu-)Inszenierung von Geschichte, Erinnerung, Tod und Tabus im lusophonen Raum verhandelt wird.
Os artigos reunidos nesta coletânea dedicam-se ao enlace de várias vozes nos textos literários e fílmicos da América Latina, África Lusófona e Portugal e suas relações intermediais, intertextuais e transculturais. Situam-se entre questões e discursos coloniais e pós-coloniais, que até hoje reverberam na produção cultural do mundo lusófono. A linguagem torna-se uma arena, na qual é debatida de diferentes perspectivas uma grande variedade de narrativas sobre a (re-)encenação de história, memória, morte e tabus nas culturas lusófonas.

Inhaltsverzeichnis

  • Cobertura
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  • Sobre o livro
  • Este eBook pode ser citado
  • Vorwort
  • Inhaltsverzeichnis
  • Propostas de reorganização dos imaginários da Conferência de Berlim como lugar de memória em Angola e entre os Angolanos (Alberto Oliveira Pinto)
  • ‘Tradição’: chances e riscos de um conceito multifacetado no discurso pós-colonial (Martin Neumann)
  • Naufrágio com Criança: passagens e limiares na filmografia lusoafricana (Kathrin Sartingen)
  • Die Vielfalt der Stimmen: Intertextualität und Intermedialität in den Erzählungen von Rubem Fonseca und im Film Cobrador: In God we trust von Paul Leduc (Marita Rainsborough)
  • Der König von Babel: Kannibalismus und Übersetzen in Brasilien (Melanie P. Strasser)
  • Von Aqopiya über Oberhausen: die vielsprachige Stimme von Gregorio Condori Mamani (Hans Fernández)
  • Comédias à portuguesa 2.0: “Novos clássicos”? (Igor Metzeltin)
  • Tabus a propósito de Tabu de Miguel Gomes (Cláudia Fernandes)
  • Autoren und Autorinnen
  • Obras publicadas na série

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Alberto Oliveira Pinto

Universidade de Lisboa

Propostas de reorganização dos imaginários da Conferência de Berlim como lugar de memória em Angola e entre os Angolanos

Introdução

A Conferência de Berlim, que decorreu entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de Fevereiro de 1885, foi uma cimeira europeia destinada a definir os princípios fundamentais de Direito Internacional que norteariam, nos anos subsequentes, a partilha colonial de territórios da Ásia Menor, da Ásia Meridional (Índia), do Magrebe (África do Norte) e da África Subsariana. Reuniu representantes de 13 Estados europeus: Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grã-Bretanha, Holanda/Luxemburgo, Itália, Império Austro-Húngaro, Império Otomano, Portugal, Reino da Suécia e Noruega e Rússia. Foi admitido um 14º Estado não europeu, apenas como observador e sem direito a voto: os Estados Unidos da América. Não esteve nela representado nenhum Estado asiático nem africano. No entanto, tratou-se de um facto histórico determinante para o futuro, quer da Europa, quer dos territórios do mundo cuja partilha colonial o convénio visava legitimar. As fronteiras geográficas coloniais delineadas em sua consequência tornar-se-iam as fronteiras políticas dos Estados asiáticos e africanos que ascenderam à Independência depois da Conferência de Bandung de 1955. Por se ter tornado, ao mesmo tempo, objecto de silenciamentos e de mitificações, coloniais e pós-coloniais, aplica-se à Conferência de Berlim o postulado de Pierre Nora da passagem da memória colectiva para a memória histórica, pelo que, só por si, a Conferência de Berlim constitui um lugar de memória susceptível de servir a reorganização dos imaginários. Como?

Centrando-nos no caso angolano, começaremos por abordar os antecedentes conjunturais da Conferência de Berlim – a disputa europeia pela Bacia do Congo/Zaire – procedendo depois a uma apreciação dos princípios nela consagrados e das reacções que suscitaram em Portugal e em Angola, interrogando-nos sobre os imaginários a que deu lugar nos dois países, para por fim inventariarmos algumas propostas de análise que julgamos pertinentes à reorganização hodierna desses imaginários. ← 9 | 10 →

A disputa europeia pela Bacia do Congo/Zaire entre a Grã-Bretanha, Leopoldo II da Bélgica, a Alemanha e a França (c. 1870–c. 1881)

Embora o objectivo da Conferência de Berlim incidisse sobre a partilha de quatro grandes regiões do globo – a Ásia Menor, a Índia, o Magrebe e a África Subsariana –, os seus antecedentes imediatos prenderam-se com a chamada “Corrida à África” [Subsariana] (Scramble for Africa), incentivada já na primeira metade do século XIX, após as independências americanas. Acentuar-se-ia no último quartel do século, depois de a Grã-Bretanha ter perdido, entre as potências europeias, a hegemonia que detinha desde o Congresso de Viena de 1815. E seria determinante a intervenção de cinco potências da Europa: a Grã-Bretanha, a França, a Bélgica, a Alemanha e Portugal.

Entre 1852 e 1856, o médico, prospector, missionário e explorador escocês David Livingstone efectuou duas travessias da África subsariana, nos dois sentidos, e foi considerado um herói nacional na Grã-Bretanha. Na década de 1860, outros exploradores britânicos – Richard Burton, John Hanning Speke e Samuel Baker – foram os primeiros Europeus a “descobrir” o Lago Tanganica e o Lago Vitória, que tomaram por nascentes do Nilo. Mas, no respeitante ao Congo/Zaire, os Britânicos limitavam-se ao patrulhamento naval costeiro, dificultando as veleidades portuguesas para norte do rio Loje, e à instalação de feitorias comerciais muito próximas da foz. Em 1866, a Grã-Bretanha vitoriana viu com orgulho o seu “herói nacional” tornar a embrenhar-se ousadamente pelo “continente misterioso”. Além de eleito o primeiro homem a efectuar a grande travessia de ida e volta da África Central – fabulação da autoria de quem ignorava ou quis ignorar a viagem dos angolanos Pedro João Baptista e Anastácio Francisco, pombeiros de Honorato da Costa, efectuada meio século antes –, Livingstone personificava a tríade dos principais argumentos coloniais que, sendo ao tempo ainda esgrimidos basicamente pela Grã-Bretanha e pela França, não tardariam a ser apropriados por outras potências europeias empurradas para a “Corrida à África”:

I) A busca de matérias-primas;

II) A “missão civilizadora”, traduzida pelo evangelismo cristão;

III) A retórica do antiesclavagismo.

Biographische Angaben

Kathrin Sartingen (Band-Herausgeber:in) Melanie Strasser (Band-Herausgeber:in)

Kathrin Sartingen ist Universitätsprofessorin für Lusitanistik, Hispanistik und Lateinamerikanistik an der Universität Wien. Sie hat Monographien und Artikel zu Literatur, Film und Theater der brasilianischen, ibero- und lateinamerikanischen sowie lusoafrikanischen Räume verfasst. Kathrin Sartingen é professora catedrática de Lusitanística, Hispanística e Estudos de América Latina na Universidade de Viena. Tem vindo a publicar vários estudos sobre literatura, filme e teatro brasileiros e ibéricos, bem como sobre literatura e filme da América Latina e da África lusófona. Melanie P. Strasser ist Doktorandin am Institut für Romanistik der Universität Wien im Bereich Brasilianische Literatur- und Kulturwissenschaft und Übersetzungstheorie. Melanie P. Strasser é doutoranda no Departamento de Estudos Românicos da Universidade de Viena na área de literatura e cultura brasileira e teoria da tradução.

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Titel: Uma Arena de Vozes / Arena der Stimmen