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Etnicidade Linguística em Movimento

Os Processos de Transculturalidade Revelados nos Brasileirítalos do Eixo Rio de Janeiro-Juiz de Fora

by Mario L. M. Gaio (Author)
Thesis 352 Pages

Summary

Este trabalho discute língua, cultura e sociedade. Interessa à sociolinguística, mas também a outros campos do saber nas ciências sociais. A composição multiétnica da população brasileira é profundamente marcada por traços culturais de diversos povos, entre os quais o italiano. A imigração italiana deixou marcas culturais importantes em seus descendentes, tornando-os sujeitos transculturais. O aporte teórico se fundamenta em estudos de Contato de Línguas, Redes Sociais, Comunidades de Prática, Identidade, «Belonging» e Transculturalidade. A metodologia utilizada constitui-se de aplicação de entrevistas semiestruturadas a descendentes de italianos analisadas sob a perspectiva da Ecolinguística. O ecossistema cultural desses indivíduos revela a manifestação da etnicidade em movimento.

Table Of Contents

  • Cover / Cobertura
  • Title / Título
  • Copyright
  • About the author(s)/editor(s) / Sobre o autor/o editor
  • About the book / Sobre o livro
  • This eBook can be cited / Este eBook pode ser citado
  • Contents / Sumário
  • List of Figures / Lista de Figuras
  • List of Tables / Lista de Tabelas
  • List of Graphs / Lista de Gráficos
  • Abbreviations / Abreviaturas
  • Foreword
  • Nota Inicial
  • 1. Introduction / Introdução
  • 1.1. Defining the theme / Definição do tema
  • 1.2. Language Contact / O contato de línguas
  • 1.2.1. Language Contact in our study / O CL no nosso estudo
  • 1.3. Justification / Justificativa
  • 1.4. Defining the research question / Definição da situação problema
  • 1.5. Delimitation and objectives / Delimitação e objetivos
  • Summary of Chapter 2
  • 2. Identidade e Imigração
  • 2.1. Identidade linguística e cultural
  • 2.1.1. Nacionalismo e identidade
  • 2.1.2. Língua, cultura e identidade
  • 2.1.3. Belonging – a sensação de pertencimento
  • 2.2. “Fizemos a Itália, agora é preciso fazer os italianos”
  • 2.3. A organização dos imigrantes italianos no Brasil – Redes sociais e regionalismo
  • 2.4. Fascismo e Casa d’Italia
  • Summary of Chapter 3
  • 3. O Contato de Línguas
  • 3.1. Conceitos, classificações e processos
  • 3.2. O contato de línguas e seus efeitos
  • 3.2.1. Fronteiras linguísticas: os conceitos de Durabilidade, Permeabilidade e Liminalidade
  • 3.2.2. A extinção do uso das línguas
  • 3.2.3. Língua de herança e língua por herança
  • 3.2.4. Língua e Emoção
  • Summary of Chapter 4
  • 4. Transculturalidade
  • 4.1. Migração, transnacionalismo, diáspora
  • 4.2. Transculturalidade, hibridismo e sincretismo: a questão terminológica
  • 4.2.1. Hibridismo Cultural
  • 4.2.2. O sincretismo cultural
  • Summary of Chapter 5
  • 5. A Perspectiva Ecolinguística
  • 5.1. A ecologia da língua
  • 5.1.1. Interação – comunhão
  • 5.1.2. Interação – comunicação
  • 5.1.3. Interação – significação
  • 5.2. A ecolinguística e a linguística ecossistêmica
  • 5.3. A internet como território
  • 5.4. O Ecossistema Cultural
  • 5.5. Comunidades de Fala e Comunidades de Prática
  • 5.6. A Comunidade de Fala na perspectiva da Linguística Ecossistêmica
  • Summary of Chapter 6
  • 6. Metodologia de Investigação
  • 6.1. O pré-teste
  • 6.1.1. Seleção dos sujeitos e aplicação dos instrumentos
  • 6.1.2. Análise dos resultados do pré-teste
  • 6.2. A coleta dos dados definitiva
  • 6.2.1. Seleção dos sujeitos
  • 6.2.2. Aplicação dos Instrumentos
  • 6.2.2.1. Entrevistas
  • 6.2.2.2. Doing Ethnicity
  • 6.3. Análise dos dados coletados
  • 6.3.1. A língua
  • 6.3.2. Os efeitos do contato
  • 6.3.3. O ecossistema linguístico-cultural dos jornaleiros
  • 6.3.4. A rede social
  • 6.3.4.1. A língua da rede social
  • 6.3.5. A Comunidade de Fala dos Jornaleiros
  • 6.3.5.1. A CF Fazenda do Zé Artino
  • 6.3.5.2. As CF em análise: Fazenda e jornaleiros imigrantes italianos
  • 6.3.5.3. O Território
  • 6.3.5.4. A população
  • 6.3.5.5. A língua da CF
  • 6.3.5.6. O fim da CF Jornaleiros
  • 6.4. Exemplos práticos de Ecossistema Cultural
  • 6.5. As comunidades de prática
  • 6.6. Os AIC no território virtual
  • 7. Final Chapter / Discussão Final
  • 7.1. The processes of transculturality / Os processos de transculturalidade
  • 7.2. The Communities of Practice in latency stage / As CP em estado de latência
  • 8. Summary / Considerações Finais
  • References / Referências
  • Annexes / Anexos

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List of Figures / Lista de Figuras

Figura/Figure 1 – The researcher and his grandfather Mario, an Italian from Macerata, in the 1960s. Linguistic, cultural and intergenerational contact.

Figura 2 – O pesquisador e seu avô Mario, italiano de Macerata, na década de 60. Contato linguístico e cultural intergeracional.

Figura/Figure 3 – Delimitation of the Intermediate Region of Urban Articulation of Juiz de Fora.

Figura/Figure 4 – Areas of the regions of influence from the Amplified Networks of Urban Articulation and the state political-administrative divisions (dotted lines).

Figura/Figure 5 – Detail of the area of Influence of the Amplified Network of Urban Articulation of Rio de Janeiro

Figura 6 – Delimitação da Região Intermediária de Articulação Urbana de Juiz de Fora

Figura 7 – Áreas das regiões de influência de Redes Ampliadas de Articulação Urbana e divisão político-administrativa estadual

Figura 8 – Detalhe da área de Influência da Rede Ampliada de Articulação Urbana do Rio de Janeiro

Figura 9 – Fachada da Casa d’Italia de Juiz de Fora (foto: acervo pessoal)

Figura 10 – Esquema gráfico dos processos de contato linguístico (COUTO, 2009, p. 50)

Figura 11 – Durabilidade, Permeabilidade e Liminalidade na fronteira linguística, segundo Zinkhahn-Rhobodes (2015, p. 234–235)

Figura 12 – Esquema gráfico do processo de glototanásia

Figura 13 – Península italiana – relevo

Figura 14 – Fachada do bar ‘Carioca do Brejo’, em Juiz de Fora

Figura 15 – Tríade de representação do Ecossistema Linguístico

Figura 16 – Tríade de representação do Ecossistema Cultural ← 19 | 20 →

Figura 17 – Artefato – Panela de ferro pertencente à família, que atravessou gerações durante mais de 100 anos.

Figura 18 – Certificado de dispensa de incorporação do exército italiano de Antonio Gaio – acervo pessoal

Figura 19 – representação do Ecossistema Linguístico-cultural

Figura 20 – Excerto da carta de José De Landa, da AAG ao cônsul italiano, Luigi Boggiolo (26/03/1946)

Figura 21 – Excerto da carta de José De Landa, da AAG ao cônsul italiano, Luigi Boggiolo (18/03/1946)

Figura 22 – Excerto da carta de José De Landa, da AAG ao cônsul italiano, Luigi Boggiolo (18/03/1946)

Figura 23 – Excerto da carta de José De Landa, da AAG ao cônsul italiano, Luigi Boggiolo (18/03/1946)

Figura 24 – Excerto da carta de José De Landa, da AAG ao embaixador Mario Augusto Martini (03/05/1946)

Figura 25 – Excerto da carta do vice-cônsul de Juiz de Fora, Ugo Scalabrino, à AAG (19/07/1957)

Figura 26 – Excerto da carta do presidente da Societá Dante Alighieri de Juiz de Fora, Franco Bocchini, à AAG (12/05/1960)

Figura 27 – Excerto da carta do vice-cônsul de Juiz de Fora, Ugo Scalabrino, à AAG (07/08/1952)

Figura 28 – Esquema da relação entre padrões de redes sociais e preservação do vernáculo proposta por Bortoni-Ricardo (2011, p. 113)

Figura 29 – Prédio da Casa d’Italia do Rio de janeiro, onde funciona o Consulado Geral e o Instituto Italiano de Cultura

Figura 30 – Portão de entrada do prédio da Casa d’Italia do Rio de Janeiro

Figura 31 – Logotipo

Figura 32 – Timeline of Casa d’Italia of Juiz de Fora: main events until the current days.

Figura 33 – Linha do tempo da Casa d’Italia de Juiz de Fora: principais acontecimentos até os dias atuais

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List of Tables / Lista de Tabelas

Tabela/Table 1 – Hierarchy of Brazilian cities – caption

Tabela 2 – Hierarquia das cidades brasileiras – legenda

Tabela 3 – Entrada de imigrantes no Brasil entre 1894 e 1933

Tabela 4 – Elenco dos informantes selecionados

Tabela 5 – Quadro comparativo entre as CF Fazenda e CF Jornaleiros

Tabela 6 – Resumo das CF Fazenda e CF Jornaleiros

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List of Graphs / Lista de Gráficos

Gráfico 1 – Distribuição da faixa etária dos membros do grupo Tarantolato

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Abbreviations / Abreviaturas

AIC Atos de Interação Comunicativa

CdL Comunidade(s) de Língua

CF Comunidade(s) de Fala

CL Contato de Línguas

CP Comunidade(s) de Prática

EIC Ecologia da Interação Comunicativa

EIL Ecologia Integral da Língua

L1 Língua Primeira adquirida por um indivíduo

L2 Língua Segunda adquirida por um indivíduo

LE Língua Estrangeira

LH Língua de Herança

PB Português Brasileiro

PE Português Europeu

TL Target Language

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Foreword

Whenever we talk about our researches, we are usually met with a certain level of skepticism, which is evident, though never explicit, by the facial expressions of the less experienced, or even by the questions asked by those who are more versed on the subject. It seems that the distrust is not directly related with the object of our study, the linguistic-cultural contact, but rather with the fact that we study its legacy, transmitted to their descendants, and not through the contact per se, no longer in existence. We have decided to work with language and culture for personal reasons, for questions that emerged from the moment we deepened our studies of Sociolinguistics and transferred that to the field of languages of/in contact. Our goal has always been to understand the reason why families of immigrants, in our specific case that of Italian immigrants, consider it important (or not) the transmission of their own languages and cultures to their descendants, and equally the reasons that motivate the descendants to be interested (or not) in what their ancestors can transmit. To what extent do these filters regulate the ethnic component in the cultural formation of what it means to be Brazilian?

In this scenario, it would be spectacular if we could go back in time to interview the many Italians coming ashore in Rio de Janeiro, both those who established themselves there and those who came to our hometown of Juiz de Fora. The direct conversation would be a rich source of information and observations; their accounts, compared with the ones from their sons, daughters and grandchildren would give us a plethora of direct and indirect information that would possibly placate our hunger for answers. We would comprehend how their Social Networks worked, how they interacted with (understood and made themselves understood by) the local population, how they brought new daily experiences to the dinner table, in what way they were interested in the local language, and what the results of their first linguistic contacts were. However, this is not possible.

To make things more difficult, the urban context of industrialization and the heightened population growth promoted the rapid assimilation of immigrants into the new society, one that was politically, socially and economically stable. The immigrants who did not establish themselves in the same neighborhoods, the same streets, did not create ghettos. From the moment they found work and better conditions of life, it can be imagined that the worry of adapting their children to life in school and work in this society became a goal to be pursued. Although there is statistical data that point towards the return of some immigrants to their native land, they are far from being the majority. Facing the difficulties of ← 27 | 28 → a return trip to where they came from was only worth it to those who achieved very little in the new land.

Evidence points to a rather rarefied scenario. Although there was a tendency of grouping families in nearby houses, the Italians did not worry about constituting families among Italians. Which means that the cultures, the languages, the diversity transformed themselves through intense and progressive contact. The same holds true for other immigrant groups that established themselves here, such as Germans, Syrians, Lebanese, Portuguese… They joined the population that already inhabited the cities and towns by starting families and transforming the local society. A scenario that was unfolding as intercultural, becoming multicultural and finally transcultural (WELSCH, 1999). This is, in essence, the formation of the Brazilian population, constituted by a rich ethnic diversity, evidenced in different contact situations.

We approach the theme of linguistics of immigration with a transcultural bias, which Welsch (1994, p. 4) defines as cultures that interpenetrate each other or emerge from one another. The transculturality gains momentum on the individual level as well, because its cultural formation is being progressively more influenced by multiple cultural connections. “We are cultural hybrids”, says Welsch (1999, p. 5), and the Brazilian population is certainly a good example of that. It presents, in our opinion, the essence of ethnicity in motion, which comes and goes, and can go again… Always aggregating cultural-linguistic elements into society and always seeking to sow the terrain of harmony and understanding among the peoples and in their relationship with the environment. In this way, the holistic view of the Ecosystemic Linguistics (COUTO, 2016) will be fundamental for the analysis of the corpora.

Therefore, with each skeptical look, each suspicious or curious question, we realize that the challenge is enormous. Transforming skepticism and distrust in academic credibility is not easy. It is, however, doable, and the challenge has been accepted. And the questions of others serve as food to nourish the desire to carry out an academically supported research, all the while being personally rewarding. ← 28 | 29 →

Figura/Figure 1 – The researcher and his grandfather Mario, an Italian from Macerata, in the 1960s. Linguistic, cultural and intergenerational contact

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Nota Inicial

Sempre que falamos de nossas pesquisas nos acostumamos a ser interpelados com mais ou menos ceticismo, muito evidente, embora nunca explicitado, nas expressões faciais dos menos experientes, e nas perguntas formuladas pelos mais versados no tema. Parece que a desconfiança não tem relação direta com o objeto de nossa pesquisa, o contato linguístico-cultural, mas com o fato de estudarmos o seu legado, transmitido aos descendentes, e não o contato propriamente, não mais existente. Decidimos trabalhar com língua e cultura de imigração por razões pessoais, por inquietações que surgiram a partir do momento em que nos aprofundamos nos estudos de Sociolinguística e derivamos para o campo das línguas de/em contato. Nosso mote sempre foi entender as razões que levam famílias de imigrantes, no nosso caso específico de imigrantes italianos, a considerarem importante (ou não) a transmissão de suas próprias línguas e culturas aos seus descendentes, e igualmente as razões que levam os descendentes a se interessarem (ou não) pelo que os ancestrais possam transmitir. Em que medida esses dois filtros regulam o componente étnico na formação cultural do ‘ser brasileiro’?

Neste cenário, seria espetacular se pudéssemos voltar no tempo para entrevistar os diversos italianos aportados no Rio de Janeiro, tanto os que ali se estabeleceram quanto os que se dirigiram à nossa cidade natal, Juiz de Fora. A conversa direta seria uma rica fonte de informações e observações; seus depoimentos, comparados com os de seus filhos e netos nos dariam uma infinidade de informações diretas e indiretas que possivelmente aplacariam nossa ânsia por respostas. Compreenderíamos como funcionavam suas redes sociais, como se entendiam com a população local, como traziam as novas experiências diárias para a mesa de jantar, de que maneira se interessavam pela língua local, quais eram os resultados dos primeiros contatos linguísticos. Contudo, isso não é possível.

Details

Pages
352
ISBN (PDF)
9783631740620
ISBN (ePUB)
9783631740637
ISBN (MOBI)
9783631740644
ISBN (Hardcover)
9783631736470
Language
Portugues
Publication date
2019 (January)
Tags
Imigração italiana Ecolinguística Linguística Ecossistêmica Identidade Cultural Redes Sociais
Published
Berlin, Bern, Bruxelles, New York, Oxford, Warszawa, Wien, 2018. 352 pp., 5 fig. col., 45 fig. p&b, 70 tab., 1 gráf.

Biographical notes

Mario L. M. Gaio (Author)

Mario Luis Monachesi Gaio é Doutor em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal Fluminense e pela Europa-Universität Viadrina (cotutela). Graduou-se em Letras com habilitação em português e italiano e suas respectivas literaturas pela Universidade Federal de Juiz de Fora e em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Juiz de Fora.

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