Loading...

Poesia, Espetáculo e Peregrinação a Santiago de Compostela na Corte Portuguesa

by Maria Isabel Morán Cabanas (Author)
©2025 Monographs 232 Pages

Summary

O livro gira sobretudo à volta de três eixos: 1. O Cancioneiro Geral, primeira compilação poética impressa em Portugal, como obra ao serviço do poder e reflexo de um reino cujo grandeza deve ser exibida em todas as dimensões, incluída a criação poética; 2. O relevo que nele ganha D. Manuel I, que, ostentando os títulos de duque de Beja e senhor de Viseu, subiu inesperadamente ao trono em 1495, como se fosse o “socessor verdadeiro” de D. João II, expressão com efeitos legitimadores; 3. A peregrinação manuelina a Compostela em 1502, a qual se revisita tanto do ponto de vista histórico-político quanto literário a partir de um vilancete recolhido na coletânea. Reflete-se sobre a comitiva (os poetas-peregrinos), o itinerário, a magnanimidade real e as motivações que animaram a viagem e contribuíram para a identidade do Caminho Português. Confirma-se a identidade dos protagonistas desse texto da autoria de Pero de Sousa Ribeiro e relativo à receção dos romeiros pela rainha D. Maria em Santos-o-Velho (Lisboa). Sob uma perspetiva comparatista, analisa-se a temática, a estrutura, o ritual, o quadro parateatral em que se inscreve e a sua projeção nas literaturas galega e castelhana.

Table Of Contents

  • Cobertura
  • Título
  • Página de direitos autorais
  • Agradecimentos
  • Índice
  • Introdução
  • CAPÍTULO 1 Memória, mecenato régio e projeção de poder
  • CAPÍTULO 2 Homenagens poéticas e figuração régia em tempos de D. Manuel, duque de Beja e senhor de Viseu
  • 2.1. D. João II como Rei, Juiz e Deus de Amor num jogo floral
  • 2.2. Celebrações do casamento do príncipe D. Afonso de Portugal com a princesa D. Isabel de Castela
  • 2.2.1. Breves considerações sobre negociações, preparativos e fases do enlace
  • 2.2.2. Algumas encenações nas festas reais de Évora
  • 2.2.2.1. D. João II perante a entrada da princesa: o Cavaleiro do Cisne
  • 2.2.2.2. Peregrinos e outras simbioses sacro-profanas nas figurações
  • 2.2.2.3. Portadores de letras e cimeiras: D. Manuel, duque de Beja e senhor de Viseu, como Saturno
  • CAPÍTULO 3 Fatalidade do príncipe D. Afonso e versos para a legitimação de D. Manuel como herdeiro do trono
  • CAPÍTULO 4 Novo rei e novos enlaces nupciais luso-castelhanos até à peregrinação jacobeia: de D. Isabel a D. Maria, filhas dos Reis Católicos
  • CAPÍTULO 5 Peregrinação do rei D. Manuel a Compostela como referência exemplar e identitária do Caminho Português
  • 5.1. Nos trilhos da tradição régia portuguesa
  • 5.2. Contribuição manuelina para a construção da identidade de um itinerário Lisboa-Santiago
  • 5.2.1. Motivações e justificações
  • 5.2.2. Itinerário e revisitação do património material e simbólico
  • 5.2.2.1. Território português: de Lisboa a Valença
  • 5.2.2.2. Território galego: de Tui a Compostela
  • 5.3. Identificação da comitiva: seis peregrinos (-poetas)
  • 5.3.1. D. Pedro Vaz Gavião, bispo da Guarda e prior de Santa Cruz
  • 5.3.2. D. Diogo Lobo, barão de Alvito
  • 5.3.3. D. Martinho de Castelo Branco, conde de Vila Nova de Portimão
  • 5.3.4. Nuno Manuel, guarda-mor
  • 5.3.5. D. António de Noronha, escrivão de puridade
  • 5.3.6. D. Fernando de Meneses, 2º marquês de Vila Real
  • CAPÍTULO 6 Celebração poética com “Alta Rainha Senhora / Santiago por nós ora”
  • 6.1. O autor como “fidalgo velho e honrado” no Cancioneiro Geral
  • 6.1.1. O nome de Pero de Sousa Ribeiro: identificação e nexos familiares
  • 6.1.2. Integração do autor como paciente e agente no rimar palaciano: temática em foco
  • 6.1.2.1. Relações interpessoais e lúdico-satíricas
  • 6.1.2.1.1. Confidências na câmara do príncipe D. Afonso
  • 6.1.2.1.2. Da judiaria a Almeirim: vaidade e longevidade
  • 6.1.2.1.3. Reclamações e autoidentificação como cavaleiro da Ordem de Cristo
  • 6.1.2.2. O amante experiente e sofredor
  • 6.2. Os versos “Alta Rainha Senhora / Santiago por nós ora”
  • 6.2.1. Tema e identificação definitiva de personagens em interação
  • 6.2.2. Intertextualidades: a festa do Natal de 1500 com a participação de D. Manuel I e D. Maria
  • 6.2.3. Tradição trovadoresca galego-portuguesa de peregrinação régia e encontro amoroso
  • 6.2.4. Tipologia do vilancete que “iam cantando”: singularidades estruturais
  • 6.2.5. Local do canto: Santiago o Maior em Santos-o-Velho
  • 6.2.6. A figura de Santiago que se move sobre um carro: para uma hipótese reconstrutiva
  • 6.2.7. Alguns testemunhos de projeção do vilancete na contemporaneidade: da imprensa galega na Argentina (1924) à Radio Televisión Española (1971)
  • Conclusões
  • Referências bibliográficas

Maria Isabel Morán Cabanas

Poesia, Espetáculo e Peregrinação
a Santiago de Compostela
na Corte Portuguesa

Berlin · Bruxelles · Chennai · Lausanne · New York · Oxford

Agradecimentos

A todos os colegas e amigos que, direta ou indiretamente, contribuíram para os resultados que aqui se apresentam – em especial a Francisco Singul (área de Cultura Xacobea da SA de Xestión do Plan Xacobeo da Xunta de Galicia), Yara Frateschi Vieira (UNICAMP – São Paulo) e José Luís Rodríguez (Universidade de Santiago de Compostela).

Índice

Introdução

CAPÍTULO 1 Memória, mecenato régio e projeção de poder

CAPÍTULO 2 Homenagens poéticas e figuração régia em tempos de D. Manuel, duque de Beja e senhor de Viseu

2.1. D. João II como Rei, Juiz e Deus de Amor num jogo floral

2.2. Celebrações do casamento do príncipe D. Afonso de Portugal com a princesa D. Isabel de Castela

2.2.1. Breves considerações sobre negociações, preparativos e fases do enlace

2.2.2. Algumas encenações nas festas reais de Évora

2.2.2.1. D. João II perante a entrada da princesa: o Cavaleiro do Cisne

2.2.2.2. Peregrinos e outras simbioses sacro-profanas nas figurações

2.2.2.3. Portadores de letras e cimeiras: D. Manuel, duque de Beja e senhor de Viseu, como Saturno

CAPÍTULO 3 Fatalidade do príncipe D. Afonso e versos para a legitimação de D. Manuel como herdeiro do trono

CAPÍTULO 4 Novo rei e novos enlaces nupciais luso-castelhanos até à peregrinação jacobeia: de D. Isabel a D. Maria, filhas dos Reis Católicos

CAPÍTULO 5 Peregrinação do rei D. Manuel a Compostela como referência exemplar e identitária do Caminho Português

5.1. Nos trilhos da tradição régia portuguesa

5.2. Contribuição manuelina para a construção da identidade de um itinerário Lisboa-Santiago

5.2.1. Motivações e justificações

5.2.2. Itinerário e revisitação do património material e simbólico

5.2.2.1. Território português: de Lisboa a Valença

5.2.2.2. Território galego: de Tui a Compostela

5.3. Identificação da comitiva: seis peregrinos (-poetas)

5.3.1. D. Pedro Vaz Gavião, bispo da Guarda e prior de Santa Cruz

5.3.2. D. Diogo Lobo, barão de Alvito

5.3.3. D. Martinho de Castelo Branco, conde de Vila Nova de Portimão

5.3.4. Nuno Manuel, guarda-mor

5.3.5. D. António de Noronha, escrivão de puridade

5.3.6. D. Fernando de Meneses, 2º marquês de Vila Real

CAPÍTULO 6 Celebração poética com “Alta Rainha Senhora / Santiago por nós ora”

6.1. O autor como “fidalgo velho e honrado” no Cancioneiro Geral

6.1.1. O nome de Pero de Sousa Ribeiro: identificação e nexos familiares

6.1.2. Integração do autor como paciente e agente no rimar palaciano: temática em foco

6.1.2.1. Relações interpessoais e lúdico-satíricas

6.1.2.1.1. Confidências na câmara do príncipe D. Afonso

6.1.2.1.2. Da judiaria a Almeirim: vaidade e longevidade

6.1.2.1.3. Reclamações e autoidentificação como cavaleiro da Ordem de Cristo

6.1.2.2. O amante experiente e sofredor

6.2. Os versos “Alta Rainha Senhora / Santiago por nós ora”

6.2.1. Tema e identificação definitiva de personagens em interação

6.2.2. Intertextualidades: a festa do Natal de 1500 com a participação de D. Manuel I e D. Maria

6.2.3. Tradição trovadoresca galego-portuguesa de peregrinação régia e encontro amoroso

6.2.4. Tipologia do vilancete que “iam cantando”: singularidades estruturais

6.2.5. Local do canto: Santiago o Maior em Santos-o-Velho

6.2.6. A figura de Santiago que se move sobre um carro: para uma hipótese reconstrutiva

6.2.7. Alguns testemunhos de projeção do vilancete na contemporaneidade: da imprensa galega na Argentina (1924) à Radio Televisión Española (1971)

Conclusões

Referências bibliográficas

Introdução

Esta obra pretende resgatar do esquecimento a presença da peregrinação a Santiago de Compostela no Cancioneiro Geral (1516), primeira compilação poética impressa em Portugal, sob várias dimensões, tanto de natureza sociopolítica como literária. Enquanto o Apóstolo Santiago figura na tradição manuscrita da lírica medieval galego-portuguesa como único santo que ocorre em três ocasiões como motivo de devoção e romaria, na poesia recolhida e organizada por Garcia de Resende após o invento de Gutenberg ter sido introduzido em Portugal aparece uma única vez, mas deixa constância escrita e rimada de um facto especialmente significativo na história do reino e da figuração de um monarca que, de modo imprevisível, tinha chegado ao trono. Trata-se da visita que D. Manuel I fez ao sepulcro galego em 1502 e da eufórica receção de que foi objeto quando regressou a Lisboa pela rainha, a sua esposa D. Isabel, e toda a Corte.

A preparação do Cancioneiro Geral inscreve-se, com efeito, num clima de exaltação nacionalista subsequente ao grande sucesso das empresas ultramarinas nos alvores da Renascença. Conflui no tempo com a execução de obras arquitetónicas do chamado estilo manuelino tão grandiosas como o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e outras que serão ordenadas pelo rei Venturoso e mencionadas ao longo das páginas deste livro. E a mesma coincidência se observa no que diz respeito à criação doutros produtos artísticos de diversa índole com um valor simultaneamente pragmático e simbólico, tais como os armoriais ou livros de armas manuscritos, com um vasto programa iconográfico através de esplêndidas iluminuras, ou a decoração do teto de uma célebre sala no Palácio de Sintra com as armas do soberano, os escudos e excelências da sua linhagem e duas filas de brasões relativos a mais de setenta origens – equiparáveis, na sua traça, às trovas heráldicas incluídas na compilação, às quais mais adiante faremos referência.

Details

Pages
232
Publication Year
2025
ISBN (PDF)
9783631935446
ISBN (ePUB)
9783631935453
ISBN (Hardcover)
9783631889879
DOI
10.3726/b22753
Language
Portuguese
Publication date
2025 (December)
Keywords
Peregrinação Caminho de Santiago Pero de Sousa Ribeiro D. Manuel I e D. Maria Cancioneiro Geral Garcia de Resende Damião de Góis Santos-o-Velho Apóstolo Santiago Parateatralidade Caminho Português Momo Entremez São Jorge
Published
Berlin, Bruxelles, Chennai, Lausanne, New York, Oxford, 2025. 232 S., 10 farb. Abb.
Product Safety
Peter Lang Group AG

Biographical notes

Maria Isabel Morán Cabanas (Author)

M. Isabel Morán Cabanas é Professora Titular de Universidade em Santiago de Compostela, na área de Filologia Galega e Portuguesa. É autora de múltiplas publicações sobre literatura e história social e das mentalidades na Idade Média, Renascimento e Barroco nos contextos ibérico e lusófono, assim como de estudos sobre a projeção desses períodos na contemporaneidade sob uma perspetiva comparatista e multidisciplinar.

Previous

Title: Poesia, Espetáculo e Peregrinação a Santiago de Compostela na Corte Portuguesa