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O comportamento linguístico dos emigrantes portugueses na Áustria

Cláudia Fernandes

Com o regresso da emigração ao quotidiano português, tornou-se manifesto que o fenómeno adquiriu contornos diferentes em comparação às vagas de emigrantes anteriores. Esta investigação centrou-se nos portugueses residentes na Áustria e procurou descrever o comportamento da língua portuguesa em contacto com as diferentes línguas estrangeiras com as quais convive em contexto austríaco e as consequências daí decorrentes. Por exemplo, em que medida há interferências de outras línguas, quais as estratégias dos falantes para gerir as suas competências linguísticas, quais as áreas mais permeáveis a transferências, etc. Como se trata de uma comunidade recente e não muito numerosa, os fenómenos linguísticos puderam ser observados ainda numa fase inicial.
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II Introdução

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1. Considerações iniciais

O facto de eu ser portuguesa, falante nativa de português, viver na Áustria e ir falando alemão não são meras coincidências nem dados alheios ao objecto desta investigação. A língua foi sempre uma área de estudo que me fascinou: as famílias de línguas, a evolução dentro de uma mesma língua, a construção e a desconstrução de palavras, etc. No entanto, para mim, “língua” era uma categoria praticamente abstracta, que se relacionava com geografia, mas não necessariamente a pessoas, a não ser na perspectiva instrumental, de veículo de comunicação. Apesar dos meus estudos terem contemplado diferentes línguas (desde a língua materna a várias línguas estrangeiras), a minha perspectiva era muito compartimentada, senão mesmo limitada acerca desse mundo que continua a fascinar-me.

Quando me mudei para a Áustria, comecei a funcionar em modo multilingue (em português ao telefone com a família, em inglês e francês com os colegas da escola, onde trabalhava, e tentando sobreviver em alemão com o resto do meu novo mundo austríaco). Tendo resistido ao choque e ao cansaço inicial, dei por mim, passado uns anos e já com o alemão como língua-franca, a reagir com interjeições alemãs… em Lisboa! Proferir espontaneamente hopla em versão trissilábica [,opə’la] em vez do monossílabo...

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