Show Less
Restricted access

O comportamento linguístico dos emigrantes portugueses na Áustria

Cláudia Fernandes

Com o regresso da emigração ao quotidiano português, tornou-se manifesto que o fenómeno adquiriu contornos diferentes em comparação às vagas de emigrantes anteriores. Esta investigação centrou-se nos portugueses residentes na Áustria e procurou descrever o comportamento da língua portuguesa em contacto com as diferentes línguas estrangeiras com as quais convive em contexto austríaco e as consequências daí decorrentes. Por exemplo, em que medida há interferências de outras línguas, quais as estratégias dos falantes para gerir as suas competências linguísticas, quais as áreas mais permeáveis a transferências, etc. Como se trata de uma comunidade recente e não muito numerosa, os fenómenos linguísticos puderam ser observados ainda numa fase inicial.
Show Summary Details
Restricted access

IV Aspectos sócio-linguísticos

Extract



1. Língua em sociedade

1.1. Uma relação necessária: língua e sociedade

A relação entre língua e sociedade é inquestionável, o que faz com que ganhe frequentemente a propriedade da transparência: está ali, mas não se vê e, por consequência, esquece-se que ela existe. O conceito de língua sem sociedade revela-se uma abstracção, apesar de durante muito tempo ter constado de livros de gramática. Uma língua requer necessariamente uma comunidade que se expresse (ou que se tenha expressado) nela, caso contrário não se justificaria a sua existência. Assim, ocorre-me a comparação da desvinculação da língua da sua componente social à dissecação de um ser-vivo: serve para a sua descrição, análise e explicação do seu funcionamento, apesar de ter sido retirado do seu habitat natural, uma vez que tudo isto seja processado num meio laboratorial e não no seu contexto de natural desenvolvimento. Trudgill (1974:21) diz que o estudo de uma língua, sem qualquer referência ao seu contexto social, leva inevitavelmente à omissão de alguns dos mais completos e interessantes aspectos da própria língua e à perda de oportunidade para mais avanços teóricos. Nessa medida, “sociolinguística” deveria ser um termo redundante, face a esta relação necessária, mas não o é. Por isso, procura-se enfatizar o aspecto social desta disciplina e, prosseguindo a metáfora...

You are not authenticated to view the full text of this chapter or article.

This site requires a subscription or purchase to access the full text of books or journals.

Do you have any questions? Contact us.

Or login to access all content.