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A tradução em movimento

Figurações do traduzir entre culturas de Língua Portuguesa e culturas de Língua Alemã

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Edited By Susana Kampff Lages, Johannes Kretschmer and Kathrin Sartingen

Para germanistas atuantes em países lusófonos ou lusitanistas em países de língua alemã, a tradução é ferramenta diária e essencial ao trabalho. Mas como tornar essa prática objeto de investigação sistemática? De que forma a tradução e seus desafios auxiliam o pesquisador que opera no campo dos estudos literários? Esta coletânea constitui uma reunião de estudos que tomam a tradução, sua prática, seus desafios e questionamentos, como ponto de partida para abordar temas caros aos estudos literários e culturais. A partir do estudo da obra de autores como Haroldo de Campos, Jorge de Sena, Vilém Flusser, Franz Kafka, Walter Benjamin, entre outros, os autores buscam refletir sobre o papel das relações entre tradução, exílio, identidade, história e filosofia.

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Peripécias, viagens, conhecimento: quatro versões em português de “Ítaca” (Sabrina Sedlmayer)

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Sabrina Sedlmayer

Peripécias, viagens, conhecimento: quatro versões em português de “Ítaca”

As três palavras aludidas no título deste trabalho – peripécia, viagem, conhecimento – encontram-se disseminadas nas traduções para o português do poema neogrego “Ítaca”, do alexandrino Konstantinos Kaváfis (cujo nome também foi transcrito para as línguas latinas por Cavafy, Kavafy, Caváfys), e remetem ao tema das migrações e do exílio. Se por migração se entende deslocamento, movimento, mudança, com algum traço de livre-arbítrio, a experiência do exílio, tema vigoroso na literatura, é, por sua vez, um estado de descontinuidade, de mutilação, de solidão vivida fora do grupo, em tempo e espaço fraturados, conforme aponta Edward Said (2003) no conhecido ensaio “Reflexões sobre o exílio”.

A associação entre exílio e nacionalismo na literatura moderna é, também, evidente: trata-se de um páthos ligado à noção de pertença, de constituição da nação como comunidade imaginada, de edificação de identidade em torno de uma língua partilhável. O que torna o poema de Kaváfis, ponto de inflexão de sua carreira nas letras, em 1911, um exemplo para analisarmos aqui é não apenas o fato de tangenciar a Stimmung da Odisseia, de oferecer uma versão daquele que se encontra longe de casa em errância entre hábitos e línguas, mas...

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