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A tradução em movimento

Figurações do traduzir entre culturas de Língua Portuguesa e culturas de Língua Alemã

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Edited By Susana Kampff Lages, Johannes Kretschmer and Kathrin Sartingen

Para germanistas atuantes em países lusófonos ou lusitanistas em países de língua alemã, a tradução é ferramenta diária e essencial ao trabalho. Mas como tornar essa prática objeto de investigação sistemática? De que forma a tradução e seus desafios auxiliam o pesquisador que opera no campo dos estudos literários? Esta coletânea constitui uma reunião de estudos que tomam a tradução, sua prática, seus desafios e questionamentos, como ponto de partida para abordar temas caros aos estudos literários e culturais. A partir do estudo da obra de autores como Haroldo de Campos, Jorge de Sena, Vilém Flusser, Franz Kafka, Walter Benjamin, entre outros, os autores buscam refletir sobre o papel das relações entre tradução, exílio, identidade, história e filosofia.

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Um exílio na linguagem. Emilio Villa, poeta e tradutor, à luz da Cabala luriânica (Andrea Lombardi)

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Andrea Lombardi

Um exílio na linguagem. Emilio Villa, poeta e tradutor, à luz da Cabala luriânica

“Comparar o incomparável” (Marcel Detienne)

Este texto parte de uma consideração que não é nova na literatura: que a produção poética e literária, em sentido amplo, estabelece seus pontos de contato, suas influências, pois a literatura é, em princípio, sempre intertextual, embora – às vezes – as comparações pareçam “incomparáveis”, como afirma Marcel Detienne (2000), pois a diversidade radical pode ajudar a identificar elementos que, na análise de um texto, podem resultar afinal produtivos. A hipótese aqui é a de que um escritor, poeta e tradutor por assim dizer pós-moderno, como o italiano, Emilio Villa (1914–2003)1 e um cabalista nascido na Palestina, Isaac Luria (1534–1572)2, podem revelar pontos de contato que vão bem além das aparências: para ambos, o exílio é elemento primordial, fator existencial e base para sua produção literária e filosófica. O exílio representa a inadequação às condições da época e causa uma sensação de derrota irreparável em relação à “história”, determinando uma espécie de exílio interno, que leva à reflexão e a construção de uma resposta no plano da arte e da literatura. Como assinala Harold Bloom (1991, p. 92), a tradição mística judaica é ela mesma uma teoria do exílio:...

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