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Collecçam dos Papeis Anonymos

Editada por Hans Fernández e Pascal Striedner

Series:

Bento Morganti

Edited By Hans Fernández and Pascal Striedner

A Collecçam dos Papeis Anonymos constitui o primeiro texto do gênero spectator aparecido na península ibérica. Atribuída ao religioso Bento Morganti, a obra circulou na cidade de Lisboa — num contexto marcado pela Censura e Inquisição — em forma de folhas volantes entre os anos de 1752 e 1754. Ao longo de quatro coleções e 44 números, sua instância narrativa reflete com base em um pensamento próprio do Iluminismo sobre a necessidade de transformar a sociedade portuguesa, especialmente por meio da educação, com a finalidade de levá-la ao nível das mais avançadas da Europa.

A presente edição diplomática dá a conhecer o «Manuscrito de Coimbra» e tenta contribuir para a pesquisa dos spectators em Portugal.

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Effeitos da Prudencia, e Providencia

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V Alha-me Deos, que nem ainda neste retiro deixão de continuar as perseguiҫoens! O certo he, que agora conheҫo ser verdade, e maxima bem certa dizerem, que o lugar mais seguro para hum homem deixar de ser tentado, nam he o Dezerto, nem a abstracҫão da communicaҫam da Corte, porque a experiencia me mostra, que em quanto nella estive, era menos perseguido de perguntas impertinentes, e menos obrigado de meus amigos a moralizar sobre os muitos, e diversos assumptos, que cada dia offerece ao discurso a continua variedade de huma Corte; porque nella não falta quem por sua devoҫão se empregue neste exercicio; mas aqui adonde me parecia que ninguem daria comigo, e que occulto aos olhos de todos, até a lembranҫa se extinguiria, verme importunado, perseguido, e obrigado a conservar correspondencias, he até dode pòde chegar a desgraҫa para quem escolheo por fortuna livrarse destes laberyntos. Mas como quem se retira, nem por isso de todo morre, não sei que espirito chocalheiro deo com al ingoa nos dentes, e [2] pelo rasto vierão dar comigo humas palavras Gregas, com o que fiquei alguma cousa assustado, e disse: Olá! temos palavras desconhecidas, certamente he Satyra, que anda perdida, e vem ter comigo para que lhe ensine o caminho da Corte, pois em boa mão veyo cahir, livre estáque se veja, ainda que bem poderia se fosse na verdade satyra, correr sem muito perigo, porque...

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