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Collecçam dos Papeis Anonymos

Editada por Hans Fernández e Pascal Striedner

Series:

Bento Morganti

Edited By Hans Fernández and Pascal Striedner

A Collecçam dos Papeis Anonymos constitui o primeiro texto do gênero spectator aparecido na península ibérica. Atribuída ao religioso Bento Morganti, a obra circulou na cidade de Lisboa — num contexto marcado pela Censura e Inquisição — em forma de folhas volantes entre os anos de 1752 e 1754. Ao longo de quatro coleções e 44 números, sua instância narrativa reflete com base em um pensamento próprio do Iluminismo sobre a necessidade de transformar a sociedade portuguesa, especialmente por meio da educação, com a finalidade de levá-la ao nível das mais avançadas da Europa.

A presente edição diplomática dá a conhecer o «Manuscrito de Coimbra» e tenta contribuir para a pesquisa dos spectators em Portugal.

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Sobre as boas Artes da Arquitetura, e Pintura.

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M Uitas vezes a variedade das iguarias desterra o fastio, e excita o apetite para o nutrimento; principalmente quando a natureza adquire pela continuaçaõ tedio ao alimento continuado. Vejo que o commum se enfastia com tam continuada Moral, e para isto naõ foi precizo muito tempo, porque desde os primeiros discursos tem concebido este enojo, que julgo ser influencia do clima, ou paixam do costume, sem que sirva de remedio o cuidado desta nova introduçaõ. Para ver se esta acha melhor entrada, quero mudar de intento, e deixando por hum pouco descançar a Filozofia moral, ainda que esta na verdade he a mais util para os homens, pois por ella se reformam os costumes, e se civilizaõ as naturezas; vamos por outro caminho buscar melhor fortuna. Hade ser hoje o discurso sobre a utilidade que os homens podem tirar das bellas Artes, as quaes naõ sómente servem para o material adorno da Republica, e conveniencia dos povos, mas tambem para instruir o espirito, e pulir o engenho, servindo de igual estudo como os Livros reconhecendo-se nellas huma grande [10] utilidade, e naõ menor necessidade para o Mũdo civil.

Para bem se conhecer a utilidade de huma cousa seria quasi necessario que esta se naõ possuisse; porque a privaçaõ he aquella que nos faz julgar por util quãto nos falta; e a familiaridade de o possuir nos faz parecer menos raro, e por isso mais vil, e menos util tudo...

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