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Collecçam dos Papeis Anonymos

Editada por Hans Fernández e Pascal Striedner

Series:

Bento Morganti

Edited By Hans Fernández and Pascal Striedner

A Collecçam dos Papeis Anonymos constitui o primeiro texto do gênero spectator aparecido na península ibérica. Atribuída ao religioso Bento Morganti, a obra circulou na cidade de Lisboa — num contexto marcado pela Censura e Inquisição — em forma de folhas volantes entre os anos de 1752 e 1754. Ao longo de quatro coleções e 44 números, sua instância narrativa reflete com base em um pensamento próprio do Iluminismo sobre a necessidade de transformar a sociedade portuguesa, especialmente por meio da educação, com a finalidade de levá-la ao nível das mais avançadas da Europa.

A presente edição diplomática dá a conhecer o «Manuscrito de Coimbra» e tenta contribuir para a pesquisa dos spectators em Portugal.

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Meyo do Sonho Moral.

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C Ontinuando a mesma pratica com que sonhei, estavaõ o Rey, e o Filosofo, sem mais comprimentos, nem mais preambulos irey dizendo ella, o que me lembrar. Parece-me, que fiquei no ponto em que Alexandre pedia a Diogenes lhe desse alguns documentos para se livrar da sua censura, e daqui continuarey com a resposta, que lhe deu o Filosofo.

[42] D. Naõ he facil deter as agoas de hum Real Rio, que trasborda. E o que naõ aprendestes de Seneca com as suas sentenças moraes, nam he possivel, que o capacite Diogenes com a critica. Se fores bom com deveis, naõ faraõ impressam alguma as mordeduras; porque os Principes quando saõ justos quebraõ todos os dentes aos Zoylos, e fazem emudecer aos malignos.

A. Com tudo ensina-me alguma cousa, para que eu me possa fazer tambem impenetravel às mordeduras destes!

D. Jà que assim quereis, eu vos darey algumas advertencias naõ de ignorante, e cheyas de Pedantismo; mas sim de Filosofo, e cheyas de doutrina verdadeira; porque hum Principe para ser bem educado, naõ se deve fiar de hum Pedagogo ignorante, mas deve entregarse a hum bom Filosofo; nam importa que seja austero, com tanto, que lhe ensine o ser humano, com lhe lembrar que he homem, e que se naõ queira fazer Nume.

A. Pareceme, que quando os Principes saõ bons, naõ deixaõ de ser Numes da terra.

D. He verdade, que saõ Numes da terra,...

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