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Cinema de migração em língua portuguesa

Espaço, movimento e travessia de fronteiras

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Edited By Kathrin Sartingen and Esther Gimeno Ugalde

O cinema como imagem ou contra-imagem, como narrativa ou contra-narrativa da vida real não ficou indiferente às movimentações e ondas migratórias globais. Nas últimas décadas, as representações de experiências migrantes e diaspóricas têm adquirido uma posição relevante nas narrativas cinematográficas.

Este livro propõe uma aproximação teórica ao conceito do assim chamado «cinema de migração». Além disso, acompanha as reflexões a respeito de alguns dos exemplos mais notáveis do cinema de migração em língua portuguesa, analisando diversos exemplos de Portugal, Brasil, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Finalmente, discutem-se novas tendências como o «cinema de migração poliglota», os seus «espaços intermitentes» e «paisagens faladas» para desembocar na constatação que são «as fronteiras que nos fazem».

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Cinema de migração poliglota: Lisboetas e Viagem a Portugal de Sérgio Tréfaut (Esther Gimeno Ugalde, Universidade de Viena)

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Esther Gimeno Ugalde

We never see the same thing when we also hear; we don’t hear the same thing when we see as well.

(Michael Chion)

Os movimentos populacionais ligados à globalização têm contribuído para situar o migrante no centro dos discursos políticos, económicos e sociais, atribuindo-lhe um forte protagonismo nos meios de comunicação, embora com conotações habitualmente negativas (Martínez-Carazo 2010, p. 168; Ballesteros 2014, p. 14)1. Sendo um dos fenómenos mais críticos e de maior impacto do nosso tempo, não surpreende que, nas últimas duas décadas, a migração também tenha despertado um crescente interesse por parte de realizadores de cinema de todo o mundo, os quais tendem a representar os migrantes – quer no cinema de ficção, quer no documentário – de uma forma alternativa àquelas que, em consonância com os discursos hegemónicos dos poderes políticos e dos grupos de poder, prevalecem nos meios de comunicação como a imprensa, a rádio ou a televisão. Em Immigration Cinema in the New Europe (2014), Isolina Ballesteros chamava precisamente a atenção sobre este facto:

[...] filmmakers have explicitly tried to provide alternatives to the partial coverage made available by the media, which, as we have seen, typically limits itself to sensationalist accounts that include the demonization of the immigrant as “illegal,” “delinquent,” or “terrorist;” the docu-dramatic and simplistic victimization of immigrants as isolated objects...

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