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Cinema de migração em língua portuguesa

Espaço, movimento e travessia de fronteiras

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Edited By Kathrin Sartingen and Esther Gimeno Ugalde

O cinema como imagem ou contra-imagem, como narrativa ou contra-narrativa da vida real não ficou indiferente às movimentações e ondas migratórias globais. Nas últimas décadas, as representações de experiências migrantes e diaspóricas têm adquirido uma posição relevante nas narrativas cinematográficas.

Este livro propõe uma aproximação teórica ao conceito do assim chamado «cinema de migração». Além disso, acompanha as reflexões a respeito de alguns dos exemplos mais notáveis do cinema de migração em língua portuguesa, analisando diversos exemplos de Portugal, Brasil, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Finalmente, discutem-se novas tendências como o «cinema de migração poliglota», os seus «espaços intermitentes» e «paisagens faladas» para desembocar na constatação que são «as fronteiras que nos fazem».

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Práticas documentais e a Lisboa pós-colonial: Juventude em marcha de Pedro Costa (Robert Stock, Universidade Humboldt de Berlim)

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Robert Stock

É sobre descobrirmos juntos o que queremos fazer.

(Pedro Costa)1

Os filmes de Pedro Costa confrontam-nos com questões iminentes sobre as vidas precárias dos migrantes em Portugal e desigualdades sociais (Pantenburg 2010; Cunha / Ribas 2016). O bairro das Fontaínhas, que já não existe, é um dos locais importantes em filmes como No quarto da Vanda (2000) ou Juventude em marcha (2006). Ali moraram portugueses e migrantes dos PALOP, principalmente de Cabo Verde (Batalha 2008) e muitos deles foram sujeitos a políticas de realojamento. Cabo-verdianos e outros migrantes oriundos das antigas colónias chegaram em três fases distintas a Portugal (Batalha 2008; Arenas 2012, p. 172). Entre 1955 e 1973, vieram cerca de 80.000 pessoas de Cabo Verde. Depois da revolução de 1974 e da descolonização política, mais pessoas dessas regiões chegaram a Portugal. Nos anos 80 e 90, assistiu-se a outra fase, na qual chegaram não apenas migrantes dos PALOP, mas também do Brasil e dos países da Europa de Leste.

Os filmes de Costa não se caraterizam por um modo explicativo ou pedagógico. Também não correspondem a um olhar ativista que talvez incentivasse protestos:

Pedro Costa’s camera never once takes the usual path from the places of misery to the places where those in power produce or manage it. We don’t see in his films the economic power which exploits...

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