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Cinema de migração em língua portuguesa

Espaço, movimento e travessia de fronteiras

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Edited By Kathrin Sartingen and Esther Gimeno Ugalde

O cinema como imagem ou contra-imagem, como narrativa ou contra-narrativa da vida real não ficou indiferente às movimentações e ondas migratórias globais. Nas últimas décadas, as representações de experiências migrantes e diaspóricas têm adquirido uma posição relevante nas narrativas cinematográficas.

Este livro propõe uma aproximação teórica ao conceito do assim chamado «cinema de migração». Além disso, acompanha as reflexões a respeito de alguns dos exemplos mais notáveis do cinema de migração em língua portuguesa, analisando diversos exemplos de Portugal, Brasil, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Finalmente, discutem-se novas tendências como o «cinema de migração poliglota», os seus «espaços intermitentes» e «paisagens faladas» para desembocar na constatação que são «as fronteiras que nos fazem».

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Quartos reais e imaginários: os lugares de memória da comunidade luso-cabo-verdiana no cinema de Pedro Costa (Iván Villarmea Álvarez, Universidade de Coimbra)

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Iván Villarmea Álvarez

Portugal é um país de fuga e de acolhimento, de emigração e de imigração. O seu “caráter semiperiférico” dentro do sistema mundial, resultante da sua dupla condição histórica como “centro de um grande império colonial” e “periferia da Europa”, como salientou Boaventura de Sousa Santos (2014, p. 32), tem possibilitado a existência de um fluxo perene de população a entrar e a sair do seu território, à procura de novas oportunidades. O discurso imperial que vigorou no país até a Revolução de 25 de abril de 1974 camuflou este fluxo como migração interna, da metrópole para as colónias e das colónias para a metrópole, embora o movimento tenha atingido um alcance global com itinerários que ligaram vários continentes em diferentes sentidos durante mais de cinco séculos. A revolução, o fim do império e a chegada da democracia ajudaram a repensar as representações deste fluxo desde o final dos anos setenta do século XX1. Porém, houve que esperar até as décadas de oitenta e noventa para que as figuras do emigrante e do imigrante fossem respetivamente atualizadas no cinema português, como explicou Tiago Baptista no seu artigo “Nacionalmente correcto: A invenção do cinema português” (2009, pp. 318–320).

A emigração portuguesa para França, por exemplo, teve numerosas representações cinematográficas – masculinas e...

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