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Cinema de migração em língua portuguesa

Espaço, movimento e travessia de fronteiras

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Edited By Kathrin Sartingen and Esther Gimeno Ugalde

O cinema como imagem ou contra-imagem, como narrativa ou contra-narrativa da vida real não ficou indiferente às movimentações e ondas migratórias globais. Nas últimas décadas, as representações de experiências migrantes e diaspóricas têm adquirido uma posição relevante nas narrativas cinematográficas.

Este livro propõe uma aproximação teórica ao conceito do assim chamado «cinema de migração». Além disso, acompanha as reflexões a respeito de alguns dos exemplos mais notáveis do cinema de migração em língua portuguesa, analisando diversos exemplos de Portugal, Brasil, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Finalmente, discutem-se novas tendências como o «cinema de migração poliglota», os seus «espaços intermitentes» e «paisagens faladas» para desembocar na constatação que são «as fronteiras que nos fazem».

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As fronteiras que nos fazem: migrações para a Europa e espaços portugueses na cinematografia do século XXI (Júlia Garraio, Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra)

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Júlia Garraio

Em Visions of Europe (2004), iniciativa que reuniu 25 cineastas oriundos/as dos países da União Europeia convidados/as a apresentar uma visão pessoal do projeto chamado “Europa”, Portugal tem uma presença curiosa. O território português está presente no contributo do finlandês Aki Kaurismäki, que filma Bico, uma aldeia do Norte de Portugal, como lugar de ancestralidade. A curta-metragem opera pela tensão entre a visibilização desse lugar inóspito como parte da Europa e a sua representação com traços que tendem a ser alterizados da maneira como o continente costuma ser imaginado no início do século XXI: mulheres com o corpo totalmente coberto, papéis de género rígidos, economia agrícola de subsistência. Em contrapartida, o território português está ausente daquele que é anunciado como o contributo português para o projeto, Cold Wa(te)r de Teresa Villaverde, curta-metragem que mostra forças policiais italianas, na ilha de Lampedusa, a proceder à prisão de migrantes e à recolha de cadáveres dos que se afogaram na travessia. Numa altura em que o crescente sentimento de rejeição dos/as imigrantes extracomunitários/as alimentava a obsessão securitária pelas fronteiras externas da União Europeia, Villaverde cria uma contra-narrativa de empatia para com os/as migrantes que passa pela representação da fronteira Schengen como lugar distópico de segregação e violência.

O presente capítulo argumenta...

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