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Entre restos e rastos: estudos sobre ficções do arquivo

by Filipe Senos Ferreira (Volume editor) Inês Costa (Volume editor) Maria João Lopes (Volume editor)
©2025 Edited Collection 218 Pages

Summary

Em Entre restos e rastos: estudos sobre ficções do arquivo, reúne-se um conjunto de reflexões em torno de uma linha de indagação ainda pouco explorada em contexto português: a que se centra nas ficções do arquivo. Trata-se de perceber como é que a literatura se apropria, interpreta, (re)visita, (re)configura e/ou interage com os materiais arquivísticos, investigando, ainda, a assiduidade e as muito variáveis intenções com que os escritores recorrem ao documento de arquivo, bem como as suas infinitas possibilidades de inscrição e rendibilização ficcional.

Table Of Contents

  • Capa
  • Página de Título
  • Página de Direitos Autorais
  • Índice
  • Lista de figuras
  • Apresentação (Os editores)
  • Referências bibliográficas
  • Archives, origins, and traces in Georges Perec’s La Vie mode d’emploi (Marco Codebò)
  • References
  • O romance multimodal como ficção de arquivo (Filipe Senos Ferreira)
  • Shiki Nagaoka: una nariz de ficción
  • A Coleção Privada de Acácio Nobre
  • Referências bibliográficas
  • El azar del hallazgo: archivos familiares en Las fotos de Inés Ulanovsky (Ruben Venzon)
  • Basado en archivos reales
  • Materialización
  • Familias, historias y reencuentros
  • Una búsqueda constante: a modo de conclusión
  • Referencias bibliográficas
  • Cristalizações, colagens e reescritas intertextuais dos arquivos coloniais na literatura da pós-memória europeia (Felipe Cammaert)
  • Cartas póstumas, cartas não lidas e fotografias da guerra: cristalizações e invenções ficcionais
  • Colagens imagéticas e textuais na reescrita da História colonial europeia
  • Palavras finais: a vivificação dos arquivos pela ficção
  • Referências bibliográficas
  • eu… Ou Sara, Llansol e figura − discursividade do eu arquivista em Missa in Albis e Onde vais, Drama-Poesia? (Cláudia Capela)
  • Referências bibliográficas
  • Vestígios de ausência: arquivo e dissolução em Três Cartas da Memória das Índias (Rui Alberto Costa)
  • Referências bibliográficas
  • De rastos os restos do rosto: Herberto Helder, um mal de arquivo (Sérgio das Neves)
  • Referências bibliográficas
  • Max Martins: autobiografia da poesia (Leila Melo Coroa)
  • Referências bibliográficas
  • Memórias e afetos: as (i)materialidades afetivas de um dossiê ficcional (Luara Teixeira de Almeida)
  • Abrindo o arquivo: apresentação de um dossiê ficcional
  • Virando a página: materialidades afetivas
  • Rastros documentais: as imaterialidades dos não-ditos
  • Arquivando documentos: conclusão
  • Referências bibliográficas
  • Arquivos e arquivistas na literatura ibérica e anglo-saxónica: representação simbólica, ficcional e estereótipos numa perspetiva diacrónica (Leonor Calvão Borges e Ana Margarida Dias da Silva)
  • Introdução
  • A Arquivística: de prática empírica a disciplina aplicada da Ciência da Informação
  • Apresentação e discussão dos resultados
  • Considerações finais
  • Referências bibliográficas
  • Uma ave lindíssima e perigosa (Paulo Faria)
  • A literatura também é um sítio onde as pessoas se podem arquivar. Entrevista a Patrícia Portela e Isabela Figueiredo (Filipe Senos Ferreira)
  • Referências bibliográficas
  • Notas biográficas

Lista de figuras

Figure 1: “11 rue Simon Crubellier, Paris: Vertical Map”

Figuras 2 e 3: Shiki Nagaoka sozinho e em foto conjunta

Figuras 4, 5 e 6: Objetos de Shiki Nagoaka e espaço onde se reuniam os nagaokistas

Figuras 7 e 8: Livro Fotos y palabras e crítica no jornal

Figuras 9 e 10: Fotografia representando Acácio Nobre (?) e uma notícia de jornal

Figuras 11 e 12: Capa do livro de Acácio Nobre e carta manuscrita

Figuras 13 e 14: Um estojo utilizado por Acácio Nobre e alguns dos seus esboços

Figura 15: Poema “Entrelinha” do livro 60/35, de Max Martins (2018a, p. 49)

Figura 16: Poema “M/M” do livro 60/35, de Max Martins (2018, p. 51)

Figura 17: Poema “M/W” do livro Say it (over and over again), de Max Martins (2021, p. 198)

Figura 18: Poema “man & woman/copulêtera”, do livro Caminho de Marahu, de Max Martins (2015a, p. 70)

Figura 19: Poema “Página de rosto”, do livro Caminho de Marahu, de Max Martins (2015a, p. 81)

Figura 20: Capa do livro 60/35, de Max Martins, a partir da fotografia de Octavio Cardoso, com projeto gráfico de Age de Carvalho (1986)

Figura 21: Livro 60/35, de Max Martins, com projeto gráfico de Age de Carvalho (1986)

Figura 22: Livro 60/35, de Max Martins, com projeto gráfico de Age de Carvalho (1986)

Figura 23: Poema “Linguaviagem”, Augusto de Campos (1975)

Figuras 24 e 25: Livros da Coleção Poesia Completa de Max Martins (2015-2021)

Figuras 26 e 27: Páginas de cadernos de Max Martins (1995). Imagem inédita

Figura 28: Carne Fresca (2018), de Ricardo Rodrigues

Figura 29: Receitas afetivas de família (2022), de Ricardo Rodrigues

Figura 30: Dossiê Afetivo (2019), de Ricardo Rodrigues

Figura 31: Elementos compositivos de Dossiê Afetivo (2019)

Figura 32: Elementos compositivos de Dossiê Afetivo (2019)

Figura 33: Elementos compositivos de Dossiê Afetivo (2019)

Apresentação

Os editores

No Livro do Desassossego — espécie de arquivo da “biografia sem factos” de Bernardo Soares —, lê-se a determinado momento:

Muitos têm definido o homem, e em geral o têm definido em contraste com os animais. Por isso, nas definições do homem, é frequente o uso da frase «o homem é um animal … » e um adjetivo, ou «o homem é um animal que … » e diz-se o quê.1

Se quiséssemos apresentar o inventário destes quês que nos tornam humanos, chegaríamos decerto a uma lista inesgotável de atributos. Entre estes, poderia talvez arrolar-se a pulsão arquivística que, de modo especialmente ostensivo no homem do século XXI, parece ter-se tornado inseparável da sua condição. Não que este se tenha convertido em arquivista profissional, na aceção trivial do termo, porquanto nem sempre essa atividade de homo documentator é acompanhada por uma declarada consciência de ofício. A verdade é que a saturação informativa da mediasfera atual impôs uma omnipresença, até há bem pouco inédita, do arquivo no nosso quotidiano. A tarefa de arquivar deixou, deste modo, de ser responsabilidade de um especialista, convertendo-se num gesto diário, passível de ser executado por qualquer sujeito, desde que munido de um smartphone ou de um computador (Chadwick, 2019, p. 26). Coabitamos irremediavelmente com e nos arquivos digitais, arquivando e arquivando-nos, na Internet, nas redes sociais, nas mensagens que trocamos, ou mesmo nas pesquisas que realizamos e devido às quais vamos deixando, a todo o momento, restos e rastos digitais de nós mesmos:

Archiving has become an increasingly ubiquitous part of everyday life. Every e-mail we receive is instantaneously stored in the cloud, and every Google search we begin is autocompleted by an algorithm that draws on the archive of our past searches, clicks, messages, and purchases. (Chadwick & Vermeulen, 2020, p. 1)

Movidos por um irrefreável “impulso arquivístico” (Foster, 2004) — que, algumas vezes, atinge níveis de verdadeira “loucura arquivista” (Enwezor, 2008) —, não é raro guardarmos compulsivamente inúmeras fotografias nas galerias dos nossos gadgets, que depois não temos tempo ou interesse em (re)ver. Para este ritmo frenético e tóxico de acumulação imagética contribuem, como nota Okwui Enwezor, em Archive Fever, (2008), o “Google, Yahoo, Facebook, MySpace, YouTube, mobile phones, digital cameras, computer hard drives, and assorted file-sharing programs, a vast, shapeless empire of images has accrued” (p. 13).

Não é este o lugar para aprofundar razões, nem multiplicar exemplos. Para o que aqui importa, bastará sublinhar que o denominado archival turn se manifesta também em grande parte da produção literária dos séculos XX e XXI, onde esse furor arquivístico desempenha importante função temática, simbólica e processual.

Com a publicação do presente volume, propõe-se a reflexão e o debate em torno de uma linha de indagação ainda pouco explorada em contexto português: a que se centra nas ficções do arquivo, isto é, textos híbridos que, confundindo ou instabilizando os limites entre real e ficção, se baseiam em documentos (de arquivo) de natureza variada, tomando-os como ponto de partida, motivo ou tema ou chegando mesmo a incorporá-los graficamente nas páginas impressas, fazendo, em algumas situações, com que a obra literária se converta, ela própria, num arquivo e o seu autor numa espécie de escritor-arquivista.2

Trata-se, pois, de perceber como é que a literatura, seja ela para adultos ou destinando-se preferencialmente a crianças e jovens, se apropria, interpreta, (re)visita, (re)configura e/ou interage com os materiais arquivísticos, sejam eles reais, imaginários ou apócrifos, privados ou públicos, analógicos ou digitais. Interessa-nos ainda investigar a assiduidade e as muito variáveis intenções com que os escritores recorrem ao documento de arquivo, bem como as suas infinitas possibilidades de inscrição e rendibilização ficcional.

Destas e de outras questões conexas se ocupam os contributos de investigadores de diferentes nacionalidades que integram o presente volume, revelando interesses, perspetivas teóricas e objetos de estudo saudavelmente heterogéneos e complementares. Parte substancial dos ensaios que se dão à estampa foram inicialmente apresentados no Congresso Internacional Entre restos e rastos: ficções do arquivo, arquivos na ficção.3 A estes se juntam, agora, também os contributos de outros autores convidados.

Details

Pages
218
Publication Year
2025
ISBN (PDF)
9783631948057
ISBN (ePUB)
9783631948064
ISBN (Hardcover)
9783631948040
DOI
10.3726/b23503
Language
Portuguese
Publication date
2026 (July)
Keywords
Arquivo ficção hibridismo ficções do arquivo literatura
Published
Berlin, Bruxelles, Chennai, Lausanne, New York, Oxford, 2025. 218 pp., 33 fig. b/w, 1 tables.
Product Safety
Peter Lang Group AG

Biographical notes

Filipe Senos Ferreira (Volume editor) Inês Costa (Volume editor) Maria João Lopes (Volume editor)

Filipe Senos Ferreira é doutorando em Estudos Literários na Universidade de Aveiro, instituição na qual desempenha funções docentes. Atualmente, desenvolve investigação no domínio dos estudos de intermedialidade e de multimodalidade. Inês Costa é doutorada Doutoramento em Estudos Literários. É Professora Auxiliar Convidada na Universidade de Aveiro e membro integrado do Centro de Línguas, Literaturas e Culturas. Maria João Lopes é licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra e doutoranda na Universidade de Aveiro, estando a escrever uma tese sobre as obras juvenis de Ana Pessoa.

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