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Antropofagias: um livro manifesto!

Práticas da devoração a partir de Oswald de Andrade

Edited By Eduardo Jorge De Oliveira, Pauline Bachmann, Dayron Carrillo Morell and André Masseno

Inseparável da personalidade de Oswald de Andrade e da sedição implícita em seu chamado para a "absorção do sagrado inimigo", o "Manifesto Antropófago" (1928) representa uma das mais arrumadas alegações do modernismo literário no Brasil. Antropofagias: um livro manifesto! convida a (re)ler as diretrizes antropológicas do pensamento oswaldiano e suas declinações nas artes e letras brasileiras. Sem pretender ser um documento histórico, o caráter manifesto deste volume visa marcar uma presença na análise do consumo cultural que distingue a produção de conteúdo estético do Modernismo, com ensaios que abordam a validade e as mutações epistemológicas de um texto em constante diálogo com os contextos crítico-históricos em que se desenvolveu a noção do que significa ser antropófago.

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O canibal tristeRastros da antropofagia na tradução: (Melanie P. Strasser)

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Melanie P. Strasser

Rastros da antropofagia na tradução1

A minha maneira de amá-los é traduzi-los. Ou degluti-los, segundo a Lei Antropofágica de Oswald de Andrade: só me interessa o que não é meu. Tradução para mim é persona. Quase heterônimo. Entrar dentro da pele do fingidor para refingir tudo de novo, dor por dor, som por som, cor por cor. Por isso, nunca me propus traduzir tudo. Só aquilo que sinto. Só aquilo que minto. Ou que minto que sinto, como diria, ainda uma vez, Pessoa em sua própria persona. Outrossim, ou antes, outronão: tradução é crítica.

(Campos, 1988: 7)

Resumo: No seu “Manifesto Antropófago”, Oswald de Andrade celebra a resistência contra a dominância europeia através do ato da devoração simbólica do cânone cultural da Europa e da sua transformação em um produto genuinamente brasileiro. A antropofagia modernista questiona a predominância persistente cultural da Europa, visando subverter as dicotomias supostamente imutáveis entre civilização e barbárie, colonizador e colonizado, cultura e natureza. Na sua revisão da antropofagia, Haroldo de Campos reflete sobre o conceito de uma tradução antropofágica, sendo já implícita no “Manifesto”. Para o tradutor antropófago, a tarefa de traduzir não é mais “angélica”, como diria Walter Benjamin, mas diabólica, “luciferina”. Em um gesto triunfal e irreverente, o tradutor torna-se, em vez de melancólico e saudoso,...

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