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Dinâmicas Afro-Latinas

Língua(s) e História(s)

Edited By Juanito Ornelas de Avelar and Laura Álvarez López

A tentativa de compreender como nascem as variedades de uma língua não pode ser dissociada da investigação sobre os aspectos históricos que permeiam a emergência dessas variedades. Da mesma forma, estabelecer a história de uma comunidade requer a observação de elementos que participaram de sua constituição social, cultural, política, econômica etc., entre os quais a língua ocupa um lugar de destaque. Língua e história se entrelaçam: uma não existe sem a outra. Esta coletânea aborda temas que interessam ao estudo dos contatos entre africanos e europeus na América Latina e na África, focalizando aspectos históricos e linguísticos relacionados ao papel dos africanos e suas línguas na gênese de novas variedades do português e do espanhol.
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Ladinos ou boçais? A política da linguagem no cotidiano da escravização ilegal (Brasil, décadas de 1830 a 1850)

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1. Introdução1

Em 1826, em retribuição ao apoio diplomático necessário ao reconhecimento da Independência, a Grã-Bretanha obteve do Brasil o compromisso de abolir o tráfico africano de escravos três anos após a ratificação do tratado pelas duas monarquias. Ilegal, por força do dito tratado, desde março de 1830, o tráfico foi proibido por lei aprovada no parlamento brasileiro em 7 de novembro de 1831. Não obstante a proibição legal, e após decréscimo temporário nas entradas de africanos durante a primeira metade da década de 1830, o comércio negreiro assumiu proporções aterradoras nos anos seguintes, impulsionado pela demanda por trabalhadores para as fazendas de café. Foi useiro e vezeiro no logro aos cruzeiros britânicos, auxiliado pela conivência e corrupção de autoridades públicas e com o apoio de setores diversos da população. No início dos anos 1850, quando nova conjuntura política interna e externa levaria à interrupção definitiva do negócio dos tumbeiros, mais de 750 mil africanos haviam entrado ilegalmente no país, e quiçá a metade da população escrava em idade produtiva fosse constituída por esses africanos e seus descendentes. Essa taxa de ilegalidade da escravidão era decerto muito mais alta nas fazendas de café do Vale do Paraíba, para onde afluíram em massa os africanos chegados após a lei de 1831...

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