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Pelos mares da literatura em português

Edited By António Manuel Ferreira, Carlos Morais, Maria Fernanda Brasete and Rosa Lídia Coimbra

A frase «Da minha língua vê-se o mar», da autoria de Vergílio Ferreira, constitui já um lugar-comum que pode provocar agrado, mas também pode gerar desconfiança. Na verdade, o português é uma língua tão marítima como telúrica, e dela também se veem as montanhas, as vastas planícies, a amazónica floresta, a savana; bem como as cidades, as aldeias, as favelas ou o musseque.

Como língua pluricontinental, o português já não é apenas um mero instrumento de comunicação quotidiana; é também um fator artístico, que tem propiciado a afirmação de literaturas, novas e menos novas, que vêm reclamando a revisão séria dos diversos cânones. Este volume reúne vinte estudos da autoria de investigadores de várias instituições. A variedade dos temas estudados, bem como as diferenciadas perspetivas hermenêuticas adotadas pelos ensaístas consubstanciam um importante testemunho acerca da vitalidade das literaturas em português.

Vi o livro, li o filme: Ensaio sobre a Cegueira (Ana Paula Arnaut) – Falar a língua dos homens e dos anjos: intertextualidade e metalepse em O evangelho segundo Jesus Cristo (Sara Grünhagen) – Doença e maldição: A Febre das Almas Sensíveis, de Isabel Rio Novo (António Manuel Ferreira) – «Corpo no outro corpo é o nome do amor»: homoerotismo e resistência na narrativa portuguesa contemporânea (Jorge Vicente Valentim) – A guerra, o trauma e o testemunho em A Costa dos murmúrios, de Lídia Jorge (Maísa Medeiros Pacheco de Andrade) – Afonso da Maia: uma personagem de tragédia grega no romance de Eça de Queirós (Bianca do Rocio Vogler) – O Degredado de Camilo, o triunfo ilusório de Gonçalo Mendes Ramires, e impérios instáveis em África (David G. Frier) – Mar transcontinental: a paixão abissal de Pedro e Inês segundo a visão ciclópica do divã de Freud (Francisco Maciel Silveira) – O eterno mito inesiano redivivo no além-mar (Flavia Maria Corradin) – Brasil e Portugal na literatura contemporânea: hibridismo e hospitalidade (Tania Martuscelli) – A reconciliação com a memória e a identidade – A árvore dos antepassados (Licínio Azevedo) e O grande circo autêntico (José Mena Abrantes) (Agnaldo Rodrigues da Silva) – Aspectos do romance contemporâneo em Mato Grosso (Olga Maria Castrillon-Mendes) – As vozes camaleónicas de Agualusa: intercorrências transficcionais e intertextuais (Ana Isabel Correia Martins) – Galinha à cafreal: José Craveirinha meio século depois (Francisco Topa) – O mar na poesia de Ruy Duarte de Carvalho, Jorge Barbosa e na obra Os Pescadores de Raul Brandão (Hilarino Carlos Rodrigues da Luz) – O papel das «pequenas» literaturas lusófonas de África (Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe) no universo das literaturas de língua portuguesa (Martin Neumann) – Manifestações da alteridade nos Contos Completos de Alberto Mussa (Alberto Sismondini) – Literaturas africanas de língua portuguesa e império colonial: «o silêncio azul» (Tania Macêdo) – Poesia de viagem a Oriente. Quanto pode uma viagem ainda incomodar? (Sara Augusto) – Viagens imaginárias e reais de Rosalía de Castro por terras e mares de Portugal (Aurora López & Andrés Pociña)